1940

  • Nasce, a 22 de maio, no Rio de Janeiro (RJ), Roberta Gnattali [1], filha de Radamés e Vera.

 

Quarteto no. 1

 

  • Em 19 de abril, o Quarteto Borgerth [2] grava, na Columbia, o Quarteto nº 1  de Radamés Gnattali, composto em 1939. É a primeira obra de música erudita do compositor a ser registrada em disco.

 

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  • Em 17 de julho, dá-se a primeira audição pública do Quarteto nº 1,  na Escola Nacional de Música, no Rio de Janeiro, pelo Quarteto Borghert.

 

 

recortes_Gazeta de Notícias (RJ)
O maestro Radamés Gnattali grava em discos “Columbia”.

 

 

 

 

 

 

 

Quarteto nº 1 para 2 violinos, viola e violoncelo
I – Movido (trecho)
Quarteto Borghert 
Columbia -95075ª / 271-1 (1940)

 

 

  • A gravadora Victor lança, de Radamés Gnattali, a canção Gaita, sobre poema de Augusto Meyer, interpretada pela cantora Christina Maristany, com orquestra e regência do autor.

 

  • Para comemorar o seu 4º ano de fundação, a Rádio Nacional apresenta um concerto com composições de Radamés Gnattali. No programa, Rapsódia Brasileira para piano (1930).

 

  • Neste ano, Radamés faz arranjos e participa da criação da trilha do filme Argila, de Humberto Mauro, com músicas de Villa-Lobos e Heckel Tavares.

 

  • Na Rádio Nacional, Almirante, José Mauro e Radamés organizam o programa Instantâneos Sonoros [3], documentário musicado sobre o folclore brasileiro.

 

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A Noite (RJ)
“Instantâneos sonoros do Brasil”

 

  • Na Alemanha, o renomado pianista espanhol José Arriola [4] executa, de Radamés Gnattali, a Fantasia Brasileira [nº 1] para piano e orquestra, com a Orquestra da Rádio de Berlim, sob a regência de Georg Wach.

 

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Carioca (RJ) > “Radamés, músico do Brasil”, por Leo Laner.

 

 

Radamés compõe:

    • A casinha pequenina, para canto e pianosobre motivo popular (autor desconhecido)
    • Azulão, para canto e pianosobre poema de Manoel Bandeira
    • Quarteto popular, para quarteto de cordas
    • Suíte para pequena orquestra
    • Três Miniaturas (valsa, modinha e jongo), para orquestra (do original para piano solo, de 1937)
    • Trio Miniatura, para piano, violino e violoncelo

 

 

 

  • O maestro e compositor José Siqueira funda, no Rio de Janeiro, a Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB), permanecendo como seu diretor até 1948.

 

  • O poeta gaúcho Mário Quintana estreia, magistralmente, com Rua dos Cata-ventos.

 

  • A Rádio Nacional é encampada pelo governo, tornando-se a maior e mais importante emissora de rádio do país [5].

 

  • Getúlio Vargas institui o salário mínimo.

 

  • Hitler invade a França e toma Paris.

 

 

 __________

[1] Roberta Gnattali formou-se em Medicina em 1966, na Faculdade Nacional de Medicina da Praia Vermelha, Rio de Janeiro. Em 1968, ingressou na Sociedade de Psicanálise Iraci Doyle, concluindo a Formação em Psicanálise em 1975.
[2] O Quarteto Borgerth (indicado no selo do disco como Quarteto Carioca) era formado por Oscar Borgerth (violino), Alda Borgerth (violino), Edmundo Blois (viola) e Iberê Gomes Grosso (violoncelo).
[3] Leia a reportagem completa em Recortes.
[4] Leia a reportagem completa em Recortes.
[5] “Até então, a emissora pertencia a um grupo empresarial do qual faziam parte o jornal A Noite, a Rio Editora, a Companhia Estrada de Ferro São Paulo – Rio Grande e milhares de alqueires de terras no Paraná e em Santa Catarina. Tudo isso foi incorporado pelo governo no dia 08 de março de 1940, quando Getúlio Vargas instituiu o decreto-lei n.º 2073,  para pagar uma dívida de três milhões de libras esterlinas assumida pelo grupo, com o aval governamental”.  (SAROLDI, L. C.; MOREIRA, S. V. Rádio NacionalO Brasil em Sintonia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2005).

1939

  • O Brasil participa da Feira Mundial de Nova York (The Golden Gate International Exposition) e envia gravações de música erudita de vários compositores brasileiros, tais como Carlos Gomes, Alberto Nepomuceno, Alexandre Levy, Henrique Oswald, Lorenzo Fernandes, Francisco Mignone, Camargo Guarnieri, Villa-Lobos e Radamés Gnattali. De Radamés, a peça escolhida é a Fantasia brasileira (1937) especialmente gravada para o evento pela Orquestra do Sindicato Musical do Rio de Janeiro, sob a regência de Romeu Ghipsman, com o autor ao piano [1].

 

 

 

Fantasia Brasileira nº1 – para piano e orquestra
I – Animado (trecho)
Orquestra do Sindicato Musical do Rio de Janeiro
Romeu Ghipsman, regente
Radamés Gnattali, piano
(Gravação não lançada comercialmente.
Arquivo particular de Humberto Franceschi) 

 

  • Em dezembro, a Rádio Nacional apresenta em seu estúdio, só para convidados, a primeira audição do Quarteto nº1 para 2 violinos, viola e violoncelo [2] de Radamés, composto neste mesmo ano. Obra dedicada a Jorge de Lima, teve como intérpretes Romeu Ghipsman e Célio Nogueira (violinos), Edmundo Blois (viola) e Iberê Gomes Grosso (violoncelo).

 

  • O Theatro Municipal do Rio de Janeiro apresenta a Revista Joujoux e balangandans, reunindo as orquestras das rádios Mayrink Veiga e Nacional, com arranjos e regência de Radamés Gnattali. No espetáculo, a novidade é a estreia de Aquarela do Brasil, de Ary Barroso. Ainda neste ano, Francisco Alves grava a canção, na Odeon, com um célebre arranjo de Radamés [3].

 

Joujoux e balangandãs
Joujoux e balangandans

 

  • Em outubro, a Companhia de Jardel Jércolis estréia, no Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro, a opereta O tesouro do Sultão, de Ariovaldo Pires (Capitão Furtado), com música e regência de Radamés.

 

  • A gravadora Odeon lança, de Radamés, o choro Alma Brasileira e a batucada Eu hei de ver você chorar (parceria com Ocis), com a orquestra da gravadora.

 

  • É lançado o filme Onde estás felicidade? com direção de Mesquitinha e músicas de Radamés e Luciano Perrone, dentre as quais, a canção tema Onde está felicidade?

 

 

Radamés compõe:

    • Cantilena para quarteto de cordas
    • Quarteto nº 1 para 2 violinos, viola e violoncelo – dedicado ao amigo Jorge de Lima
    • Valsas para pianociclo de 10 valsas dedicadas ao pianista espanhol José Arriola, editadas em 1945.

 

 

  • Nasce, no Rio de Janeiro (RJ), o compositor, professor e maestro Ricardo Tacuchian.

 

 

  • Surge, no Rio de Janeiro (RJ), o grupo Música Viva [4], fundado pelo professor e compositor Hans-Joachim Koellreutter, imigrante alemão, chegado ao Brasil em 1937.

 

  • Dorival Caymmi grava o seu primeiro disco, com participação de Carmen Miranda na faixa O que é que a baiana tem.

 

  • Carmen Miranda embarca para os EUA com o grupo vocal Bando da Lua [5].

 

  • O Estado Novo de Getúlio Vargas, que muito apreciou o novo tipo de samba lançado por Ary Barroso, o samba-exaltação, passa a recomendar aos compositores populares que abandonem o tema da malandragem carioca em suas músicas.

 

  • É criado o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), que tem como funções principais, a promoção dos atos do governo e a censura aos meios de comunicação.

 

  • Os EUA reforçam, na América Latina, a “Política de boa vizinhança” (iniciada em 1933) e emprestam ao Brasil 50 milhões de dólares.

 

  • A Alemanha invade a Polônia, é o começo da Segunda Guerra Mundial.

 

  • Realiza-se, em Nova York (EUA), a primeira transmissão pública de televisão.

 

__________

[1] Dados constantes no selo das 3 faces dos discos de 78 rpm, de 12”,  gentilmente digitalizados e cedidos pelo pesquisador e escritor Humberto Franceschi, para esta catalogação.
[2] Leia a crítica de Luiz Heitor Correa de Azevedo em Recortes > 1940 – Vamos ler.
[3] Sobre o famoso “tan, tan, tan – tan, tan, tan”,   Radamés conta: “Esse negócio não é meu, não. É do Ary. O Ary queria que eu usasse isso nos contrabaixos, mas não ia fazer efeito nenhum, ia ficar uma droga. Eu então botei cinco saxes fazendo aquilo. O que eu inventei foi o arranjo, pra botar a sugestão no lugar certo”. Depoimento para o MIS-RJ, 1985.
[4] Integraram o grupo Música Viva compositores, musicólogos, críticos, tais como Luiz Heitor Corrêa de Azevedo, Brasílio Itiberê, Luiz Cosme, Octávio Bevilcqua, Vasco Mariz, Cláudio Santoro, Eunice Katunda, Edino Krieger, Guerra-Peixe. O grupo teve no compositor Camargo Guarnieri o seu maior opositor.
[5] Carmen Miranda embarca para a América do Norte, sendo a principal contrapartida brasileira à “Política de boa vizinhança”, programa de cooperação entre os países americanos, instituído pelo governo dos Estados Unidos. Carmen  era responsável por representar, não só o Brasil, mas o “South American way”.

1938

  • Em agosto, Radamés realiza um concerto com suas composições na Escola Nacional de Música, no Rio de Janeiro. No programa, Sonata para violoncelo e piano (1935), Poema para violino e piano (1934), Trio para violino, violoncelo e piano (1933). Participação de Iberê Gomes Grosso (violoncelo), Romeu Ghipsman (violino) e o autor ao piano.

 

Radamés compõe:

    • Flor da noite para violino e piano – inspirado em um pregão baiano repassado a Radamés por Dorival Caymmi.
    • Flor da noite para violoncelo e piano (do original para violino e piano)

 

  • Almirante estreia, na Rádio Nacional, o programa Curiosidades Musicais, primeiro programa de rádio transmitido em rede nacional.

 

  • Lampião, Maria Bonita e mais nove cangaceiros são mortos e decapitados pela polícia, na fazenda de Angico, em Sergipe.

 

 

  • Realiza-se o I Congresso Nacional dos Estudantes, que dá origem à formação da UNE – União Nacional dos Estudantes.

 

  • Adolf Hitler assume poderes absolutos, ditatoriais, na Alemanha; a Áustria é anexada ao III Reich.

1937

  • Primeira audição da Sonata nº 1 para violoncelo e piano (1935), de Radamés Gnattali, na Escola Nacional de Música, no Rio de Janeiro, executada pelo violoncelista Iberê Gomes Grosso (a quem a peça é dedicada), acompanhado ao piano pelo autor.

 

 

programas_

 

 

 

 

Sonata nº 1 para violoncelo e piano
I. Movido
(trecho)
Antonio Del Claro, violoncelo
Glacy Antunes de Oliveira, piano
(Paulus – 11558-4. São Paulo, 1997)

 

 

  • Em sua edição de 14 de abril, o jornal Correio da Manhã publica o resultado do ‘concurso de composição de suítes para piano’, de 1936, realizado pela Associação dos Artistas Brasileiros. O prêmio de melhor composição é concedido em chave, empatados, a Radamés Gnattali, pela suíte Valsa, Modinha e Jongo [1] e a Brasílio Itiberê, pela suíte Invocação, Coral e Dança. O júri foi constituído pelos compositores Lorenzo Fernandes e Francisco Mignone, o crítico musical e professor Octavio Bevilacqua, o presidente da A.A.B. Andrade Muricy e a pianista Noemi Coelho Bittencourt.

 

  • Primeira audição mundial do Concerto n.º 2 para piano e orquestra (1936), de Radamés Gnattali, na Rádio Nacional do Rio de Janeiro, tendo como solista o pianista Arnaldo Estrela, com a orquestra sinfônica da rádio, sob a regência do autor.

 

  • A Revista Turismo organiza o programa Meia Hora de Música Brasileira, com a orquestra do maestro Simon Bountman, transmitido ao mundo inteiro pela Rádio Nacional. Com arranjos de Radamés, são apresentadas as músicas Cidade Maravilhosa, de André Filho, Carinhoso, de Pixinguinha, No Tabuleiro da Baiana, de Ary Barroso, e, em primeira audição, a Fantasia Brasileira [nº 1] para piano e orquestra, do próprio Radamés. Esta última teve a sua partitura editada e distribuída pela Revista Turismo, para todas as embaixadas e delegações do Brasil no exterior.

 

  • A gravadora Victor lança, de Radamés, os choros Cabuloso e Recordando, com o Trio Carioca, formado por Luiz Americano (clarinete), Radamés Gnattali (piano) e Luciano Perrone (bateria). 

 

  • Radamés utiliza, pela primeira vez, a pedido do jovem cantor Orlando Silva, uma orquestra de cordas nos arranjos das músicas Lábios que beijei e Juramento falso, ambas de J. Cascata e Leonel Azevedo. Apesar das críticas dos puristas, aos arranjos considerados americanizados, Orlando vende milhares de discos.

 

 

Radamés compõe:

    • Fantasia brasileira [nº 1] para piano e orquestra 
    • Lenda nº 2 para violino, violoncelo e piano
    • Modinha para canto e piano – sobre poema de Manoel Bandeira – dedicada à Christina Maristany.
    • Valsa, modinha e jongo – suíte para piano (obra desaparecida, citada em jornais da época) [2] 

 

 

  • Nasce, no Rio de Janeiro (RJ), o bandolinista e compositor Joel Nascimento, a quem Radamés dedica, entre outras obras, o Concerto para bandolim e orquestra de cordas, em 1985.

 

  • Morre, em Paris, o compositor Maurice Ravel (Maurice Joseph Ravel), a quem Radamés admirava como um dos três maiores compositores do século XX, ao lado de Rachmaninoff e Béla Bratók.

 

  • Morre, em Beverly Hills (Califórnia, EUA), o compositor George Gershwin.

 

 

  • O radioteatro, que até então apresentava pequenos diálogos humorísticos, passa a irradiar peças completas, na Rádio Nacional. 

 

  • Tem início o Estado Novo. Getúlio Vargas fecha o Congresso e assume poderes ditatoriais. Uma nova constituição, a chamada Polaca, com características fascistas, é imposta ao país.

 

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  • [1] Fonte: Hemeroteca da Biblioteca Nacional – Correio da Manhã, 14/04/1937 
  • [2] Fonte: Hemeroteca da Biblioteca Nacional – Correio da Manhã,   “Recital do pianista Arnaldo Estrella” –  17/08/1937  ;  Prêmio de piano  Associação dos Artistas Brasileiros –  10/09/1938

1936

  • Nasce, a 18 de julho, no Rio de Janeiro (RJ), Alexandre Gnattali [1], primogênito do casal Radamés e Vera.

 

Juventude_
Alexandre, com os avós paternos, Alexandre e Adélia, e Bulungo, o papagaio da tia Aída. Porto Alegre, 1937.

 

  • Radamés completa 30 anos.

 

  • Em 12 de setembro é inaugurada a PRE-8, SociedadeRádio Nacional, do Rio de Janeiro. Radamés é contratado, inicialmente, como pianista de orquestra passando, em pouco tempo, a arranjador e maestro.

 

 

profissional_

  • 1936. Radamés ao piano na PRE-8 Sociedade Rádio Nacional, tendo à frente o microfone da emissora, ícone da Era de Ouro do rádio brasileiro.

 

 

 

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A Orquestra All Star, uma das orquestras da Rádio Nacional, em 1936, era formada por 2 trompetes, trombone, 2 saxofones altos (ou 2 clarinetes), saxofone tenor, piano, contrabaixo e bateria. Radamés era o pianista da orquestra e a regência ficava a cargo de Simon Boutman. Ao fundo, na bateria, Luciano Perrone. Nota-se que a orquestra possuía um set de percussão considerável, com tímpanos, gongo, vibrafone, bateria.

 

 

  • Radamés assina os arranjos e a direção musical da revista em dois atos e 40 quadros, Parada das Maravilhas [2], encenada no Theatro Municipal do Rio de Janeiro nos dias 10 e 18 de outubro. Leia mais em Música em cena > teatro / dança.

 

  • A gravadora Victor lança, de Radamés, o choro Amoroso e as valsas Duas da Manhã, Primavera de amor, Zeli e Relembrando o passado. Todas as faixas com a Orquestra Típica Victor.

 

 

Radamés compõe:

    • Concerto nº 2 para piano e orquestra
    • Lenda e Choro para quarteto de cordas
    • Rapsódia para dois pianos e jazz (incompleto) [3]
    • Valsa, Modinha e Jongo [4] (Ano da composição aproximado. Obra não localizada, citada em jornais da época, ora como Suíte, ora como Miniaturas. Em 1940 Radamés transcreveu esta peça para grande orquestra com o título Três Miniaturas – Valsa, Modinha e Jongo).

 

 

  • Nasce, no Rio de Janeiro, o pianista e compositor Luizinho Eça (Luiz Mainzi da Cunha Eça), a quem Radamés dedica, na década de 1960, o Concerto Carioca nº 2, para trio de piano, contrabaixo e bateria com grande orquestra.

 

 

  •  Oscar Niemeyer e Lúcio Costa projetam a sede do Ministério da Educação e Saúde, no Rio de Janeiro. A inspiração veio do arquiteto suíço Le Corbusier, com linhas retas e um novo conceito de funcionalidade.

 

  • É inaugurado, no Rio de Janeiro, o Aeroporto Santos Dumont.

 

  • É realizada, na Alemanha, a primeira gravação de um concerto em fita magnética.

 

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  • [1] Alexandre Genuíno Gnattali, formou-se em Odontologia, em 1963. Em 1969 viajou para a Índia onde estudou na escola Kayvalya Dahma, na vila de Lonavla, estado de Maharastra, formando-se professor de Yoga. De volta ao Brasil, ingressou na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), no curso de Educação Física, graduando-se em 1976.
  • [2] Fonte: Hemeroteca da Biblioteca Nacional –  Jornal do Brasil, de 10/10/1936  e 18/10/1936.
  • [3] A Rapsódia para 2 pianos e jazz  (1936) parece ser a primeira versão da Fantasia Brasileira nº 1 para piano e orquestra, esta, de 1937.
  • [4] Fonte: Hemeroteca da Biblioteca Nacional – Correio da Manhã, de 07/08/1937

1935

  • Em 21 de junho, Radamés apresenta o seu Concerto [nº 1], para piano e orquestra (1934), em primeira audição mundial, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, com a Orquestra Municipal, sob a regência do maestro Henrique Spedini.

 

 

 

 

 

 

Festa – Revista de arte e pensamento – 2ª phase – anno I –  agosto de 1935 – nº 9 (RJ) ‘Radamés Gnattali – concerto para piano e orquestra’, por Brasílio Itiberê

 

 

 

  • A gravadora Victor lança, de Radamés, os choros Saudoso, Tristonho, o choro-batuque Dengoso, a polca-choro Estilo da Vila [1], as valsas Berenice e Entardecer e o arranjo da moda riograndense Prenda minha, interpretada por Almirante e Paulo Tapajós.

 

 

Radamés compõe:

    • Alma Brasileira (choro), para piano e orquestra de cordas (do original para piano)
    • Gaita, para piano e canto (terceira canção da série Três poemas de Augusto Meyer, iniciada em 1931)
    • Sonata nº 1 para violoncelo e piano – dedicada a Iberê Gomes Grosso

 

 

 

  • Nasce, em 28 de março, no Rio de Janeiro (RJ), o poeta, escritor, compositor e produtor Hermínio Bello de Carvalho, responsável por históricas produções artísticas brasileiras, entre shows, concertos, espetáculos musicados, gravações fonográficas. Como diretor da Divisão de Música Popular da FUNARTE, nas décadas de 1970/80, Hermínio criou um importante núcleo de pesquisas de música popular brasileira, com apoio institucional à projetos artísticos-culturais que resultaram em edição de livros, discos, partituras e montagem de espetáculos.

 

  • Morre, em São Paulo (SP), Zequinha de Abreu (José Gomes de Abreu), compositor do célebre choro Tico-tico no fubá.

 

  • Morre, no Rio de Janeiro (RJ) a maestrina e compositora Chiquinha Gonzaga (Francisca Edwiges Neves Gonzaga), a quem Radamés reverencia no 4º movimento de Retratos, para bandolim solista, regional de choro e orquestra de cordas (1956).

 

 

 

  • Eclodem rebeliões militares em batalhões do Rio Grande do Norte, Pernambuco e Rio de Janeiro. O movimento fica conhecido com o nome de Intentona Comunista.

 

  • São inauguradas mais duas rádios no Rio de Janeiro: Tupi e Ipanema.

 

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  • [1] Esta polca-choro foi gravada com o título Estilo da Vila (Victor-33978b). No entanto, nas partes cavadas, com nº de arquivo  C-177, da Sociedade Rádio Nacional, consta o título Estilo da Vida. Não há uma grade com a orquestração. As partes disponíveis são: piano (guia de regência), flauta, clarinete, 2 violinos (em uma pauta), baixo.

1934

  • A já consagrada cantora Bidu Sayão convida Radamés para acompanhá-la, como pianista, em sua tournée pelo sul do Brasil. De passagem por Porto Alegre, a cantora, num gesto generoso de incentivo ao jovem compositor, inclui no programa o seu Trio nº 1, para piano, violino e violoncelo (1933). A peça, executada no 3º recital da cantora, em Porto Alegre, dia 25 de outubro, no Teatro São Pedro, foi interpretada por Radamés (piano), Carlos Baroni (violino) e Nelson Cintra (violoncelo).

 

Trio nº 1, para piano, violino e violoncelo (1933)
Trio nº 1, para piano, violino e violoncelo (1933)

 

recortes_26.10.1934 (sem referência) » Crítica: “O concerto despedida de Bidú Sayão – Uma brilhante e vigorosa obra musical de Radamés Gnattali”.

 

 

 

  • Radamés participa como pianista acompanhador do último concerto de despedida da cantora Bidú Sayão, realizado no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, dia 02 de dezembro [1].

 

  • A gravadora Odeon lança o choro Serenata no Joá e a valsa Vilma, ambas de Radamés, com solo de clarinete de Luiz Americano.

 

 

 

  • Morre, no Rio de Janeiro (RJ), o compositor e pianista Ernesto Nazareth, uma das maiores referências musicais de Radamés, desde a juventude.

 

 

Radamés compõe:

    • Canção e Dança, para contrabaixo e piano
    • Canto, sobre um tema de aboio, para fagote e piano – “ao meu pai”.
    • Concerto nº 1 para piano e grande orquestra 
    • Poema nº 1 para violino e orquestra de câmara – dedicado a Célio Nogueira
    • Poema nº1 para violino e piano – (redução da parte de orquestra para piano) – dedicado a Célio Nogueira.

 

 

  • São inauguradas mais três rádios no Rio de Janeiro: Rádio Difusora, da Prefeitura (depois Roquete Pinto), Rádio Cruzeiro do Sul e Rádio Transmissora.

 

  • Estreia a Hora do Brasil, programa radiofônico do Governo Federal que mais tarde passa a se chamar A voz do Brasil.

 

 

  • É promulgada a segunda Constituição da República, beneficiando os trabalhadores e regulamentando o voto feminino. É criada a Justiça do Trabalho.

 

  • Adolf Hitler assume poderes de chefe de estado na Alemanha.

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[1] Fonte: Hemeroteca da Biblioteca Nacional – Correio da Manhã: 04/12/1934

1933

  • Estreia de Radamés no cinema como compositor e diretor musical do filme Ganga Bruta, de Humberto Mauro. A gravadora Columbia lança a valsa Teus olhos, água parada, uma das canções do filme, interpretada pelo cantor Moacir Bueno Rocha.

 

  • A gravadora Victor lança, de Radamés, as valsas Vibrações d’alma e Saudosa, e a polca-choro Conversa fiada.

 

 

Radamés compõe:

    • Concerto para violino e piano, com acompanhamento de quarteto de cordas
    • Rapsódia Brasileira para dois pianos (versão do original para piano solo) – dedicada a Brutus Pedreira e Ayres de Andrade
    • Trio nº 1 para violino, violoncelo e piano
    • Valsa para dois pianos – dedicada a Cândido Portinari
    • Valsas Brasileiras nº 1 para piano – “para minha irmã Aida”.

 

 

  • A prefeitura do Rio de Janeiro apóia oficialmente o desfile das Escolas de Samba, sob o patrocínio do jornal O Globo. São proibidos os instrumentos de sopro e a ala das Baianas torna-se obrigatória.

 

  • Inaugurada a política de boa vizinhança pelos EUA [1].

 

 

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[1] Para saber mais, clique FGV CPDOC

 

 

 

1932

  • Radamés casa-se com Vera Maria Bieri, pianista formada, natural de São Leopoldo (RS), sua companheira por 33 anos, com quem teve dois filhos, Alexandre e Roberta.

 

Juventude_
Radamés e  Vera

 

 

  • Sob a regência do maestro Francisco Braga, Radamés apresenta-se no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, interpretando o Concerto em Si bemol de Tchaikovsky [1].

 

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Correio da manhã (RJ) – 06.10.1932
» Primeiro concerto de Assignatura da Symphonica.

 

  • Sem possibilidade de sobreviver no Rïo de Janeiro apenas como concertista e compositor de música erudita, Radamés passa a atuar no mercado de música popular, tocando piano ou viola, em orquestras de cinema e de baile.

 

 

profissional_A música popular já fazia parte do seu dia-a-dia, desde Porto Alegre, onde participava de conjuntos de choro e samba e da “Ideal Jazz Band”.
Na foto, Radamés é o do cavaquinho, à direita.

 

 

 

  • A pianista Dora Bevilacqua executa a Rapsódia Brasileira (1930), de Radamés, no Instituto Nacional de Música.

 

  • Em 21 de outubro, a Companhia de Theatro Typico Brasileiro estreia, no Theatro João Caetano, do Rio de Janeiro, a peça musicada, Marquesa de Santos, de Luís Peixoto e Baptista Júnior, com músicas e regência de Radamés Gnattali.

 

programas_

 

  • No dia 18 de novembro, no Theatro João Caetano, em substituição à Marquesa de Santos, a grande Companhia de Teatro Typico Brasileiro estreia a peça de costumes, em 2 atos e 6 quadros, Sertão, de Jayme Ovalle e Radamés Gnattali, este, autor das músicas e regente.

 

  • Ainda em novembro, a Associação dos Artistas Brasileiros, em seu 10º concerto, faz uma audição de composições de Radamés e de Luiz Cosme; entre os intérpretes, além dos autores, o violinista Oscar Borgerth e o violoncelista Iberê Gomes Grosso.

 

  • Radamés é contratado pela gravadora Victor Talking Machine Co. of Brazil, como pianista das orquestras Típica Victor, Diabos do Céu e Guarda Velha, sob a direção do maestro Alfredo da Rocha Vianna Filho (Pixinguinha).

 

 

  • Nasce, em São José do Rio Preto (SP), o clarinetista, saxofonista, compositor e arranjador Paulo Moura (Paulo Gonçalves de Moura) a quem Radamés dedica, em 1959, Valsa triste, com acompanhamento de guitarra elétrica, contrabaixo e bateria, dentre uma série de peças para saxofone alto e piano.

 

 

Radamés compõe: 

    • Acalanto para orquestra de câmara
    • Nêgo véio tá sonhando (batuque) para violoncelo e pianodedicado a Iberê Gomes Grosso
    • Serestas nº 2 para quarteto de cordas

 

 

  • Realiza-se, na Praça Onze, o primeiro desfile competitivo das escolas de samba do Rio de Janeiro, sagrando-se campeã a Estação Primeira de Mangueira.

 

  • Villa-Lobos assume o cargo de diretor do SEMA – Superintendência de Educação Musical e Artística, órgão normativo e pedagógico do novo governo federal. Fica no cargo até 1945.

 

 

  • Eclode a guerra civil entre São Paulo e as forças getulistas, conhecida como Revolução Constitucionalista, terminando com a derrota dos oposicionistas.

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  • [1] A pesquisadora Valdinha Barbosa, biógrafa do maestro, em seu livro Radamés Gnattali – o eterno experimentador informa que este é o último concerto de Radamés como intérprete de obras de outros compositores. A partir de então passará a apresentar-se publicamente interpretando, exclusivamente, peças de sua autoria.

1931

  • Composta no ano anterior, Radamés estreia sua Rapsódia Brasileira para piano, uma de suas primeiras obras de vulto.

 

 

 

 

Diário de Notícias (RJ)
29.03.1931

 

 

  •  A Sala Beethoven, em Porto Alegre, realiza o evento Noite Brasileira, apresentando obras dos compositores Radamés Gnattali e Luiz Cosme.

 

  • Orientado por seu ex-professor, Guilherme Fontainha, Radamés muda-se para o Rio de Janeiro com o objetivo de preparar-se para um concurso à vaga de professor catedrático, do Instituto Nacional de Música, a ser realizado em alguns meses[1].

 

  • Radamés participa, no Rio de Janeiro, da programação do Quarto Concerto Oficial do Instituto Nacional de Música, de 1931, ao lado de Luciano Gallet, Villa-Lobos, Lorenzo Fernandes, Luiz Cosme e Camargo Guarnieri.

 

4º Concerto da Série Oficial de 1931 – Instituto Nacional de Música. (17.12.1931)

 

 

 

 

Correio da Manhã (RJ)
(coluna Correio Musical)
(12.12.1931)

 

 

 

 

 

  • Nasce, em Orobó (PE), o instrumentista, compositor e maestro Nelson de Macedo, a quem Radamés dedica o Divertimento a três para violino, viola e violoncelo, em 1983.

 

  • Nasce, em Juazeiro (BA), o cantor e compositor João Gilberto (João Gilberto do Prado Pereira de Oliveira, 1931-2019). A partir da sua gravação do samba Chega de Saudade, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, em 1959, historiadores e estudiosos da música popular brasileira o consideram fundador de um novo tipo de samba, que irá se fixar e consolidar, ao longo da década de 1960, como bossa nova [2].

 

 

 

  •  Radamés compõe:

 

    •  Para meu rancho, para canto e piano – versos de Vargas Netto (Obra citada na imprensa, a partitura não consta no arquivo do autor).
    • Pequena Suíte, para 2 violinos, viola, violoncelo e piano
    • Ponteio, Roda e Baile, para piano – com dedicatória à Vera, sua noiva.
    • Três poemas de Augusto Meyer, para canto e piano (I.Violão; II. Oração da Estrela Boieira; III. Gaita – esta última, finalizada em 1935). Obra dedicada ao barítono Adacto Filho.

 

 

 

 

III. Baile

Radamés Gnattali, por Olinda Alessandrini
FUNPROARTE – s/nº (POA, s/d)

 

 

 

  • Villa-Lobos reúne representantes das diversas classes sociais paulistas e organiza uma Concentração Orfeônica chamada Exortação Cívica, com a participação de cerca de 12 mil vozes.

 

  • O samba Se você jurar, de Ismael Silva, Nilton Bastos e Francisco Alves, gravado em dupla por Francisco Alves e Mário Reis, esboça uma nova batida de samba, menos amaxixada, que irá se fixar como padrão clássico do samba carioca, até os dias de hoje.

 

  • Em 12 de outubro é inaugurada, no alto do morro do Corcovado, no Rio de Janeiro, a estátua do Cristo Redentor.

 

 

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[1] Getúlio Vargas resolve não realizar o concurso e faz uma nomeação para o preenchimento da vaga.

[2] Sobre a bossa nova, disse Radamés: “A batida da bossa nova tirou essa coisa [a acentuação no segundo tempo do samba], mas ficou uma outra coisa, que ficou mesmo e está aí. Ninguém pode negar isso. Em vez de um samba, agora, temos dois.”