1955

  • Acontece, em 19 de junho,  no ginásio do Estádio Municipal do Pacaembu, em São Paulo, o 8º Festival de Música Brasileira, promovido pela Rádio Record, em colaboração com a Rádio Nacional do Rio de Janeiro, e organizado por Paulo Tapajós e Radamés Gnattali. No programa, entre outras atrações, o duo de pianos Radamés e Aída Gnattali, que executa peças de Ernesto Nazareth, com arranjos de Radamés. O duo apresenta, ainda, uma versão para dois pianos da Fantasia Brasileira nº1 (do original para piano e orquestra, de 1937), sob a regência do maestro Gabriel Migliori.

 

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Revista do Rádio (RJ)  > 30/07/1955
por Arnaldo Câmara Leitão

 

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(continuação)

 

  • Realiza-se, em São Paulo (SP), a Soirée de Gala Antártica da Rádio Gazeta (série de audições com notáveis compositores brasileiros), apresentando o Festival Radamés Gnattali. No programa, Suíte de Quadros Brasileiros [1], Três Valsas para piano [2] e Brasiliana nº 6  (concerto) para piano e orquestra (1954), com regência do maestro Armando Belardi.  Ao piano, o autor.

 

  • Cedido pela Continental, Radamés grava na Sinter, de sua autoria, com participação do baterista Luciano Perrone, o Samba em três andamentos, para piano, orquestra de cordas e percussão típica das escolas de samba do Rio de Janeiro (1948). A obra foi rebatizada mais tarde com o nome de Brasiliana nº 2.

 

 

 

Brasiliana nº 2 (Samba em três andamentos)
para bateria e piano, com orquestra de cordas e percussão popular brasileira 
I – Samba de Morro (trecho)
Orquestra de cordas e ritmo da gravadora Sinter
Lyrio Panicalli, regente
Luciano Perrone, bateria
Radamés Gnattali, piano

 

 

  • A Sinter lança o elepê Ecos do Brasil, apresentando Radamés ao piano, com acompanhamento de contrabaixo e percussão, interpretando os sambas Cai-Cai, Estão batendo, Mundo de zinco e o maxixe Rio antigo.

 

  • A gravadora RCA Victor lança o choro Conversa mole, de Radamés, interpretado por Canhoto e seu Regional.

 

  • Elizeth Cardozo grava, na Copacabana, o samba Pra que me iludir, de Radamés Gnattali e Norival Reis.

 

  • A gravadora Sinter, lança a valsaVaidosa (1947), de Radamés, com o autor ao piano.

 

  • A gravadora Continental reedita, em elepê, fonogramas de 78 rpm gravados em 1951, com músicas de Noel Rosa interpretadas por Aracy de Almeida. Arranjos, piano e regência de Radamés.

 

  • Radamés assina a direção musical do filme Rio 40 Graus, de Nelson Pereira dos Santos, com Glauce Rocha, Jesse Valadão e grande elenco. Músicas de Zé Kéti (A voz do Morro), Moacyr Soares Pereira, João Batista da Silva, entre outros.
    Ainda em 1955, assume a direção musical dos filmes Angu de Caroço  e O Diamante, ambos de Eurides Ramos ; O grande pintor e O feijão é nosso, ambos de Victor Lima ;  Eva no Brasil, de Pierre Caron.

 

 

 

  • Radamés compõe:
    • Brasiliana nº 9 – para violoncelo e Sexteto Radamés Gnattali [3] (obra inacabada)
    • Capoeirando (choro) para piano
    • Por quê? (choro) para piano

 

 

 

  • Morre, aos 40 anos, no Rio de Janeiro, RJ, o violonista e compositor Garoto (Aníbal Augusto Sardinha, 1915-1955).

 

 

  • O mineiro Juscelino Kubitscheck de Oliveira, do PSD, ex-governador de Minias Gerais,  é eleito presidente do Brasil.

 

  • Francisco Julião legaliza as Ligas Camponesas do Nordeste.

 

  • Na Argentina, o presidente Juan Domingo Perón é deposto por um golpe militar.

 

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  • [1] A Suíte de quadros brasileiros não foi localizada no arquivo particular de Radamés. A peça está citada em programas e livros, porém, não foi encontrada. É possível que seja a Sonatina Coreográfica, também designada como Quatro movimentos dançantes. 
  • [2] Não há, no arquivo particular de Radamés, nenhum título como Três Valsas. Na ocasião, Radamés deve ter executado três valsas, das várias que compôs, juntando-as sob esse título genérico.
  • [3] Para Sexteto Radamés Gnattali, consulte o Glossário.