Radamés e seu tempo 1951-1960

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  • 1951

    • O maestro Eduardo Guarnieri, em tournée pela União Soviética, inclui em seu repertório a Suíte para grande Orquestra, de Radamés Gnattali. Uma transcrição da Suíte para pequena orquestra, de 1940.
      programas_    
    • Realiza-se, no Teatro Rex, no Rio de Janeiro, o 7º Concerto da Juventude Escolar, promovido pelo Ministério da Educação e Saúde, com a Orquestra Sinfônica Brasileira, sob a regência de Leo Peracchi. No programa, a Brasiliana [nº 1] (1944), de Radamés Gnattali.
     
    • Em sequência ao ​lançamento de 1950, a gravadora Continental ​lança um segundo álbum com 3 discos e 6 canções de Noel Rosa (sendo duas em parceria com Vadico e uma com Kid Pepe), ​novamente ​​na voz ​de Aracy de Almeida, ​com arranjos de Radamés para sua orquestra.
     
    • A gravadora Sinter lança o choro Veludo, de Radamés, interpretado pelo conjunto Os Copacabanas.
     
    • Lúcio Alves grava Sábado em Copacabana, de Dorival Caymmi e Carlos Guinle, com acompanhamento de Vero e sua Orquestra [1].
           
    • Radamés compõe:
      •  Concertino nº 1 para violão e orquestra de câmara – dedicado à Maria Teresa Terán e Juan Antonio Mercadal
      • Concertino nº 2 para violão e orquestra de câmara [2] – dedicado a Aníbal Augusto Sardinha (Garoto)
      • Concertino nº 2 para violão e piano – (redução da parte da orquestra para piano)
         
    • Morre nos EUA o compositor Arnold Schöenberg, criador do dodecafonismo.
         
    • Surge no Rio de Janeiro (RJ) o jornal Última Hora, fundado por Samuel Wainer.
     
    • Em Moscou, o escritor Jorge Amado recebe o prêmio Stalin.
     
    • A Sinter lança no Brasil o primeiro Long-play, disco de vinil de 10 polegadas.
     
    • Getúlio Vargas volta do exílio, candidata-se à Presidência da República e é eleito presidente do Brasil, pelo voto direto, em eleição democrática.
     
    • Início da campanha O Petróleo é nosso, com o objetivo de nacionalizar a extração e o refino de petróleo no Brasil.
        __________
    • [1] Vero foi o pseudônimo adotado por Radamés (inspirado no nome da esposa, Vera) para atuar na área de música popular. Recurso utilizado por músicos eruditos da época para esconder a verdadeira identidade.
    • [2] O Concertino nº 2 para violão e orquestra estreou em 1953 no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, interpretado por Garoto, com regência do maestro Eleazar de Carvalho.
  • 1952

    • Em 4 de outubro, realiza-se no Rio de Janeiro o Festival Radamés Gnattali como parte do Festival de Obras Camerísticas nº 1 no auditório do Ministério da Educação e Saúde. No programa constam duas obras para violoncelo e piano: Sonata [nº 1] (1935) e Modinha e Baião (1952), ambas interpretadas por Iberê Gomes Grosso (violoncelo) e Radamés (piano). É apresentado, ainda, o Concertino nº 2 para violão e piano (1951), executado por Aníbal Augusto Sardinha (violão) e Radamés (piano).

     

    programas_

     

    • A gravadora Continental lança, de Radamés Gnattali, os choros Pé ante pé e Amigo Pedro, com Vero e seu Conjunto [1], formado por Radamés (piano), Sandoval Dias (saxofone tenor), José Menezes (violão elétrico), Pedro Vidal (contrabaixo).

     

    • Radamés assina a direção musical, trilha original e arranjos  do filme Tico-Tico no Fubá, de Adolfo Celi, com Tônia Carrero e Anselmo Duarte. A sequência final do filme, chamada Apoteose, com duração de 4 minutos, é um tema com variações sobre a famosa música de Zequinha de Abreu, que dá nome ao filme. As mãos que aparecem no filme, ao piano, são de Radamés.

     

    • A gravadora Todamérica lança para o Natal um álbum duplo com a história infantil “Como nasceu Jesus”, poema de Antonio Almeida e Mario Faccini, musicado por Radamés Gnattali, com orquestra e coro da Rádio Nacional. Veja anúncio no jornal  Ultima Hora (RJ) de 04/12 

     

     

     

    • Radamés compõe:
      • Fantasia brasileira nº 2  para trompete, piano, bateria e orquestra de cordas – dedicada ao trompetista Marino Pissiali, integrante da orquestra da Rádio Nacional.
      • Modinha e baião – para violoncelo e piano
      • Sonatina coreográfica (Quatro movimentos dançantes) para grande orquestra [2] – (do original para piano, de 1950).

     

     

     

    • Morre, aos 54 anos, o cantor Francisco Alves, o “Rei da voz”, em um desastre de automóvel na rodovia Rio – São Paulo.

     

     

    • É lançada a revista Manchete, dirigida por Adolfo Bloch.

     

     

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    • [1] Vero: ver nota [1] do ano de 1951.

     

     

  • 1953

    • Abrindo o 1º concerto sinfônico da Temporada Nacional de Arte de 1953, sob os auspícios da Prefeitura do Distrito Federal, o violonista Garoto (Aníbal Augusto Sardinha) executa, em primeira audição mundial, o Concertino nº 2 para violão e orquestra (1951), a ele dedicado, de Radamés Gnattali, com a Orquestra do Theatro Municipal, sob a regência de Eleazar de Carvalho [1]. Segundo Radamés, Garoto realizava alí o sonho maior da sua vida: apresentar-se, no palco do Theatro Municipal acompanhado de sua grande orquestra.

     

    • O semanário Carioca (RJ) de 28/03, em sua seção Discoteca, avalia como ótimo o disco Continental C-16.719  com a Fantasia Brasileira  (face A) e a Rapsódia Brasileira (samba e baião) (face B), ambas de Radamés Gnattai e Laurindo Almeida, com Radamés e sua Orquestra. 

     

    • Em comemoração ao 38º aniversário de sua fundação, o Tijuca Tênis Club realiza, na noite de 22 de junho, o “Festival da Música Brasileira”, com participação da grande Orquestra Brasileira da Rádio Nacional, composta por 70 figuras além de cantores e coro, com arranjos e regência de Radamés Gnattali. Composta especialmente para o evento, Radamés apresenta sua Fantasia Brasileira nº3 – para piano e orquestra, com o autor ao piano.

     

     

     

     

    • Em 24 de agosto, acontece a 1ª audição mundial do Concerto Carioca [nº1]  com José Menezes (violão elétrico), Radamés (piano) e a Orquestra Brasileira da Rádio Nacional, com regência de Alberto Lazolli., no II Festival da Música Brasileira, realizado na sede do Fluminense Football Club do Rio de Janeiro. [2]

     

     

     

     

    No centro do proscênio, da esquerda para a direita, o trio de cordas dedilhadas da Orquestra Brasileira: José Menezes, Garoto e Bola Sete (Djalma de Andrade).

     

     

     

    • Radamés compõe:
      • Fantasia brasileira nº 3 para piano e orquestra
      • Fantasia brasileira nº 4 para trombone, piano, bateria e orquestra  – dedicada a Paulo Tapajós. Radamés anota na partitura: “escrita para o trombonista Waldemar Moura e o baterista Luciano Perrone”.
      • Suíte popular brasileirapara piano e violão elétrico – dedicada ao violonista Laurindo Almeida.

     

     

    • Getúlio Vargas sanciona a Lei nº 2004, que cria a PETROBRAS, coroando de êxito uma campanha popular que mobilizou todas as camadas sociais do país.

     

     

    ____________

    [1] Fonte: Hemeroteca da Biblioteca Nacional –  revista  Carioca, nº 915 – 18/04/1953
    [2] Fonte: Hemeroteca da Biblioteca Nacional – revista  Carioca, nº 936 – 12/09/1953

     

  • 1954

    • Morre no Rio de Janeiro (RJ) Adélia Fossati Gnattali, mãe de Radamés.

     

     

    raizes_‘Minha mãe era dona de casa, fazia todo o serviço e ainda tinha tempo pra ensinar música para os filhos. Era uma mulher extraordinária (,,,) tinha uma intuição musical fabulosa’.

     

     

     

    • ‘Quando os maestros se encontram, os músicos se f…!’,  parodiavam os músicos da orquestra da PRE-8, referindo-se ao programa Quando os Maestros se Encontram, estreado em julho, que reunia os maiores regentes e arranjadores da Rádio Nacional. Na foto abaixo, alguns dos legendários arranjadores daquela época: a partir da esquerda, Alexandre Gnattali, Romeu Ghipsman, Ercole Vareto, Radamés Gnattali e Leo Peracchi.

     

     

    profissional_

     

     

     

    • O trombonista Waldemar Moura estreia a Fantasia Brasileira n.º 4 (1953), de Radamés Gnattali, no programa Quando os Maestros se Encontram, na Rádio Nacional do Rio de Janeiro.

     

    partitura

     

     

     

    • Radamés grava dois elepês, ambos pela gravadora Continental:  Ernesto Nazareth, com solos de piano e celesta e acompanhamento de orquestra de cordas; Jóias Musicais Brasileiras, com orquestra, contendo músicas famosas do cancioneiro popular brasileiro, como No rancho fundo (Ary Barroso e Lamartine Babo), Carinhoso (Pixinguinha e João de Barro), Linda flor (Henrique Vogeler e Marques Porto), entre outras.

     

     

     

     

     

    • A gravadora Continental lança, ainda neste ano, o elepê Sinfonia do Rio de Janeiro, de Tom Jobim e Billy Blanco, com orquestrações e regência de Radamés Gnattali.

     

    • A gravadora Columbia lança um elepê com o Quarteto Popular (1940/41), de Radamés, interpretado pelo Quarteto de Cordas Oficial da Escola Nacional de Música.

     

     

     

     

    • Radamés compõe:
      • Brasiliana nº 6 – concerto, para piano e orquestra
      • Suíte brasileira – danças – para piano, guitarra elétrica, contrabaixo e bateria solistas, com orquestra (transcrição adaptada da Suíte popular brasileira para violão elétrico e piano, de 1953)

     

     

     

    • Surge a Revista da Música Popular, editada por Lúcio Rangel, com participação de Ary Barroso, Sérgio Porto, Manuel Bandeira, entre outros.

     

    • A Cia. Cinematográfica Vera Cruz encerra suas atividades.

     

    • A cidade de São Paulo completa quatrocentos anos de fundação.

     

    • A miss Brasil Martha Rocha deixa de vencer o concurso de Miss Universo, realizado em Long Beach (Califórnia, EUA), sob a alegação de que teria duas polegadas a mais nos quadris.

     

     

    • Em 5 de agosto, no Rio de Janeiro (RJ), o jornalista e deputado Carlos Lacerda sofre um atentado na Rua Tonelero, em Copacabana, sendo assassinado o major Rubens Vaz, que acompanhava o político. Pela imprensa, Lacerda responsabiliza o governo Vargas. Políticos que apoiam Getúlio acusam Lacerda e o seu partido (UDN) de conspirar contra o governo, insuflando as forças armadas contra Getúlio.

     

    • Em 24 de agosto, pressionado pelas denúncias  de Carlos Lacerda (sem provas concretas) e pelo alto comando das Forças Armadas, que exigiam a sua renúncia, Getúlio Vargas suicida-se no Palácio do Catete.

     

  • 1955

    • Acontece, em 19 de junho,  no ginásio do Estádio Municipal do Pacaembu (SP), o 8º Festival de Música Brasileira, promovido pela Rádio Record em colaboração com a Rádio Nacional do Rio de Janeiro, e organizado por Paulo Tapajós e Radamés Gnattali. No programa, entre outras atrações, o duo de pianos Radamés e Aída Gnattali, que executa peças de Ernesto Nazareth com arranjos de Radamés. O duo apresenta, ainda, uma versão para dois pianos da Fantasia Brasileira nº1 (do original para piano e orquestra, de 1937), sob a regência do maestro Gabriel Migliori.

     

    recortes_

     

    Revista do Rádio (RJ)  > 30/07/1955
    por Arnaldo Câmara Leitão

     

    recortes_
    (continuação)

     

    • Realiza-se, em São Paulo (SP), a Soirée de Gala Antártica da Rádio Gazeta (série de audições com notáveis compositores brasileiros), apresentando o Festival Radamés Gnattali. No programa, Suíte de Quadros Brasileiros [1], Três Valsas para piano [2] e Brasiliana nº 6  (concerto) para piano e orquestra (1954), com regência do maestro Armando Belardi.  Ao piano, o autor.

     

    • Cedido pela Continental, Radamés grava na Sinter, de sua autoria, com participação do baterista Luciano Perrone, o Samba em três andamentos, para piano, orquestra de cordas e percussão típica das escolas de samba do Rio de Janeiro (1948). A obra foi rebatizada mais tarde com o nome de Brasiliana nº 2.

     

     

     

    Brasiliana nº 2 (Samba em três andamentos)
    para bateria e piano, com orquestra de cordas e percussão popular brasileira 
    I – Samba de Morro (trecho)
    Orquestra de cordas e ritmo da gravadora Sinter
    Lyrio Panicalli, regente
    Luciano Perrone, bateria
    Radamés Gnattali, piano

     

     

    • A Sinter lança o elepê Ecos do Brasil, apresentando Radamés ao piano, com acompanhamento de contrabaixo e percussão, interpretando os sambas Cai-Cai, Estão batendo, Mundo de zinco e o maxixe Rio antigo.

     

    • A gravadora RCA Victor lança o choro Conversa mole, de Radamés, interpretado por Canhoto e seu Regional.

     

    • Elizeth Cardozo grava, na Copacabana, o samba Pra que me iludir, de Radamés Gnattali e Norival Reis.

     

    • A gravadora Sinter lança a valsaVaidosa (1947), de Radamés, com o autor ao piano.

     

    • A gravadora Continental reedita em elepê fonogramas de 78 rpm gravados em 1951, com músicas de Noel Rosa interpretadas por Aracy de Almeida. Arranjos, piano e regência de Radamés.

     

    • Radamés assina a direção musical do filme Rio 40 Graus, de Nelson Pereira dos Santos, com Glauce Rocha, Jesse Valadão e grande elenco. Músicas de Zé Kéti (A voz do Morro), Moacyr Soares Pereira, João Batista da Silva, entre outros.
      Ainda em 1955, assume a direção musical dos filmes Angu de Caroço  e O Diamante, ambos de Eurides Ramos ; O grande pintor e O feijão é nosso, ambos de Victor Lima ;  Eva no Brasil, de Pierre Caron.

     

     

     

    • Radamés compõe:
      • Brasiliana nº 9 – para violoncelo e Sexteto Radamés Gnattali [3] (obra inacabada)
      • Capoeirando (choro) para piano
      • Por quê? (choro) para piano

     

     

     

    • Morre, aos 40 anos, no Rio de Janeiro (RJ) o violonista e compositor Garoto (Aníbal Augusto Sardinha, 1915-1955).

     

     

    • O mineiro Juscelino Kubitscheck de Oliveira, do PSD, ex-governador de Minias Gerais,  é eleito presidente do Brasil.

     

    • Francisco Julião legaliza as Ligas Camponesas do Nordeste.

     

    • Na Argentina, o presidente Juan Domingo Perón é deposto por um golpe militar.

     

    __________

    • [1] A Suíte de quadros brasileiros não foi localizada no arquivo particular de Radamés. A peça está citada em programas e livros, porém, não foi encontrada. É possível que seja a Sonatina Coreográfica, também designada como Quatro movimentos dançantes
    • [2] Não há, no arquivo particular de Radamés, nenhum título como Três Valsas. Na ocasião, Radamés deve ter executado três valsas das várias que compôs, juntando-as sob esse título genérico.
    • [3] Para Sexteto Radamés Gnattali, consulte o Glossário.
  • 1956

    • Em comemoração ao seu cinquentenário, Radamés Gnattali é homenageado na Rádio Nacional com uma grande festa e um concerto com obras de sua autoria, além da inauguração de um estúdio com o seu nome.

     

     

    profissional_Radamés regendo a orquestra da  Rádio Nacional. Da esquerda para a direita, vê-se o locutor Cesar Ladeira, Garoto (com o cavaquinho) e os violonistas José Menezes e Bola Sete. Ao lado do piano, o locutor Aurelio de Andrade. (Foto: Arquivo MIS)

     

     

    • Primeira audição mundial da Sinfonia Popular [nº 1] no Theatro Municipal de São Paulo, com a Orquestra Municipal sob a regência do maestro Armando Belardi e, em seguida, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, com a Orquestra Sinfônica Brasileira sob a regência do maestro Leo Peracchi.

     

     

    partitura
    Sinfonia Popular [nº 1]
     

    • A Rádio Nacional reestreia o programa Cancioneiro Royal, com roteiro de Paulo Tapajó  e arranjos e regência de Radamés Gnattali. O programa apresenta aspectos da música popular e folclórica brasileira [1].

     

    • Em setembro, a Rádio Nacional comemora o seu 20º aniversário em grande gala, realizando o Festival de Música Brasileira no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, com direção geral de Paulo Tapajós. O programa conta com a participação da Orquestra e Coro da Rádio Nacional e o seu grande elenco de cantores e cantoras, locutores e músicos solistas, como Jacob do Bandolim, José Menezes, Raul de Barros, Abel Ferreira, Chiquinho do Acordeom, entre outros, com arranjos de Radamés Gnattali e regências de Radamés e Romeu Ghipsman.

     

    programas_programas_

     

     

    • Radamés grava na Continental a Suíte popular brasileira para violão elétrico e piano (1953), de sua autoria. A gravação é feita em play-back (recurso técnico que acabara de estrear no Brasil); Radamés grava o piano no Rio de Janeiro e a fita é enviada aos Estados Unidos, para que Laurindo Almeida (a quem a peça é dedicada) sobreponha a parte de violão.

     

    DIsco_ Suite Popular Brasileira

     

     

    • A gravadora Continental lança, de Radamés, o choro Bate-papo a três vozes, interpretado por Radamés (piano), Pedro Vidal (contrabaixo) e Luciano Perrone (bateria).

     

     

     

      • Concertino [nº 1] para harmônica e orquestra de câmaradedicado a Edu da Gaita
      • Retratos, para bandolim solista, conjunto de choro e orquestra de cordas [2] dedicado a Jacob do Bandolim
      • Sinfonia popular [nº 1] para grande orquestra

     

     

     

     

    • Estreia a peça Orfeu do Carnaval, de Vinicius de Moraes, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, com direção de Leo Jusi. A peça marca o início da parceria Antônio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes.

     

    • João Guimarães Rosa escreve Grande Sertão: Veredas.

     

    • Juscelino Kubitschek toma posse na Presidência da República. Com base em seu Plano de Metas, empreende diversas realizações desenvolvimentistas. Uma delas é a transferência da capital federal para Brasília.

     

     

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    • [1] Fonte: Hemeroteca da Biblioteca Nacional –  A Noite, 31/12/1955.
    • [2] Retratos: peça estruturada em quatro partes em que Radamés homenageia quatro grandes fundadores da música popular brasileira: I. Pixinguinha; II. Ernesto Nazareth; III. Anacleto de Medeiros; IV. Chiquinha Gonzaga. Para elaborar os seus retratos, Radamés extrai com muita sutileza elementos temáticos essenciais de composições célebres desses autores sem, no entanto, citar literalmente qualquer dessas músicas.
  • 1957

    • A Continental lança o elepê Valsas da minha terra com Radamés Gnattali e sua orquestra, e arranjos de sua autoria para valsas brasileiras célebres.

     

    • Os irmãos Alexandre e Radamés Gnattali assinam a direção musical do filme Rio Zona Norte, de Nelson Pereira dos Santos, com canções do compositor e sambista Zé Kéti (José Flores de Jesus). Este filme é considerado um dos marcos que fundaram o ‘cinema novo’, movimento artístico surgido na década de 1960, que revolucionou o cinema brasileiro.

     

     

     

     

    • Ainda nesse ano, Radamés assina a direção musical dos seguintes filmes: O noivo da girafa e Chico Fumaça, ambos dirigidos por Victor Lima, estrelados por Amácio Mazzaropi ; Na corda bamba, dirigido por Eurides Ramos, para o qual compõe a canção As Melindrosas (com Meira Guimarães) ; O Barbeiro que se vira, também de Eurides Ramos, para o qual compõe Abolição (dobrado), Baile no Galpão (ranchera), Mestre Filó (polca) e Tá no Ré (maxixe).  

     

     

     

    • Radamés compõe: 
      • Concertino nº 3 para violão e orquestra com flauta, bateria (c/ tímpanos e bells) – dedicado a José Menezes
      • Concerto para harpa e orquestra de cordas – dedicado ao harpista Gianni Fumagalli
      • Sonatina para violão e piano  (finalizada em 1958) – dedicada a Dilermando Reis

     

     

    • Morre, no Rio de Janeiro (RJ), o violonista Tute (Artur de Souza Nascimento), o primeiro a utilizar um violão de sete cordas no conjunto regional de choro, no início do século XX.

     

     

    • Com 16 anos, Pelé (Edson Arantes do Nascimento, 1940), estreia na seleção brasileira de futebol.

     

    • A União Soviética lança no espaço o Sputnik, primeiro satélite artificial do mundo.

     

     

  • 1958

    • A Orquestra Sinfônica Brasileira apresenta o Festival Radamés Gnattali. Edu da Gaita executa, em primeira audição mundial, o Concertino para harmônica de boca e orquestra de câmara (1956), a ele dedicado. O programa inclui, ainda, a Brasiliana nº 6 – concerto – para piano e orquestra (1954), a Sinfonia popular (1956) e o Concertino para piano, flauta e orquestra de cordas (1942), executado por Radamés Gnattali ao piano, e com a participação do flautista Moacyr Lissera, sob a regência do maestro Armando Belardi.

     

     

     

     

    • Radamés grava, na Todamérica,  a Brasiliana nº 7  para piano e saxofone tenor e a Brasiliana nº 8, para dois pianos, ambas compostas em 1956. O elepê é lançado em dezembro deste ano.

     

     

    profissional_Sandoval Dias e Radamés Gnattali gravam a Brasiliana nº 7.

     

     

     

     

     

     

    profissional_

    Duo Radamés e Aída Gnattali gravam a Brasiliana nº 8

     

     

     

     

     

     

    • Na gravadora Continental, Radamés grava o elepê Radamés em ritmo de samba – Radamés e sua orquestra. 

     

     

     

    • Radamés compõe:
      • Dança brasileira, para violão – dedicada a Laurindo Almeida.
      • Negrinho do pastoreio (bailado) para dois pianos
      • Quatro noturnos para quarteto de cordas e piano 

     

     

     

    • Estreia no Rio de Janeiro, no Teatro de Arena, a peça Eles Não Usam Black-Tie, de Gianfrancesco Guarnieri.

     

    • Jorge Amado lança, com enorme sucesso, o livro Gabriela, cravo e canela.

     

    • Publicado em São Paulo o Manifesto Concretista, do grupo dos poetas Haroldo de Campos, Augusto de Campos e Décio Pignatari.

     

    • A seleção brasileira sagra-se campeã do mundo na Suécia.

     

    • Os Estados Unidos lançam no espaço o seu primeiro satélite artificial.

     

  • 1959

    • Radamés recebe o título de Cidadão Carioca em sessão plenária da Câmara do Distrito Federal do dia 29 de outubro de 1959.

     

    Título de Cidadão Carioca

     

    • Realizado, em julho, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, o Festival Radamés Gnattali, promovido pela Orquestra Sinfônica Brasileira. No programa, em primeira audição mundial, o Concerto para harpa e orquestra de cordas (1957), executado pelo harpista Gianni Fumagalli; a Brasiliana nº 3 (sinfonia) para orquestra; o Concerto nº 1 para Violino e Orquestra (1947), tendo como solista o violinista Anselmo Zlatopolsky, sob a regência do autor.

     

     

     

    Concerto para harpa e orquestra de cordas
    I – Allegro (trecho)
    Orquestra Sinfônica Brasileira
    Gianni Fumagalli, harpa
    Radamés Gnattali, regente
    (Festa Irineu Garcia – IG – 1007)

     

     

    • A gravadora Festa lança 3 discos com obras de Radamés:
      Dois concertos de Radamés Gnattali : Concerto para harpa e orquestra de cordasConcerto nº 1 para violino e orquestra.
      – Radamés Gnattali :  Concerto para harmônica de boca e orquestra ; Brasiliana nº 3 (sinfonia) para orquestra.
      Villa-Lobos / Radamés Gnattali – com o duo Iberê Gomes Grosso (violoncelo) e Radamés Gnattali (piano) : Sonata  nº 2  de Villa-Lobos ; Sonata nº 1 para violoncelo e piano e Flor da noite, ambas de Radamés.

     

     

    profissional_
    Iberê Gomes Grosso e Radamés Gnattali.

     

     

    • Morre, no Rio de Janeiro (RJ), o compositor, instrumentista e maestro Heitor Villa-Lobos.

     

    profissional_
    Villa–Lobos e Gnattali Foto: Arquivo MIS

     

     

     

    • Radamés compõe:
      • Carioca (choro) para saxofone alto e piano, com acompanhamento de guitarra elétrica, bateria e contrabaixo (partitura não localizada)
      • Devaneio (fox) para saxofone alto e piano, com acompanhamento de guitarra elétrica, bateria e contrabaixo
      • Insistência (Sempre a sonhar) para saxofone alto e piano, com acompanhamento de guitarra elétrica, bateria e contrabaixo
      • Monotonia (samba-canção) para saxofone alto e piano, com acompanhamento de guitarra elétrica e contrabaixo
      • Nostalgia (valsa) para saxofone alto e piano, com acompanhamento de guitarra elétrica e contrabaixo (partitura não localizada)
      • Noturnos para orquestra de cordas e piano (do original Quatro noturnos para quarteto de cordas e piano, de 1958)
      • Penumbra (fox) para saxofone alto e piano, com acompanhamento de violão, contrabaixo, bateria (partitura não localizada)
      • Poema nº 2 para violino e orquestra de câmara – dedicado a Anselmo Zlatopolsky
      • Romance (samba-canção) para saxofone alto e piano, com acompanhamento de violão, contrabaixo, bateria (partitura não localizada)
      • Sonatina para flauta e violão (ou piano) [1]
      • Valsa, samba-canção e choro – para violino com acompanhamento de dois violões, pandeiro e orquestra de cordas – dedicados ao violinista Irany Pinto
      • Valsa triste para saxofone alto e piano, com contrabaixo

     

     

     

    • É lançado pela Odeon o primeiro elepê de João Gilberto, Chega de Saudade, com arranjos e direção musical de Tom Jobim, considerado um dos marcos inaugurais da bossa nova.

     

    • Após uma ausência de 15 anos, o compositor Cartola volta a divulgar suas músicas, reintegrado ao meio musical por intermédio do jornalista Sérgio Porto.

     

    • Em 1º de janeiro dá-se a vitória da Revolução Cubana, comandada por Fidel Castro.

     

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    [1]  Radamés compôs, tardiamente, na década de 1980, uma parte nova de piano, dedicando-a ao duo Norton Morozowicz (flauta) e Laís de Souza Brasil (piano).

     

  • 1960

    • O Sexteto Radamés Gnattali  excursiona pela Europa durante 3 meses, integrando a III Caravana Oficial de Música Popular Brasileira [1].   

     

    • Sexteto Radamés Gnattali: na foto abaixo, ao piano, Radamés, líder e arranjador do conjunto; sua irmã Aída Gnattali (segundo piano), José Menezes (violão elétrico) e Edu da Gaita, em participação especial, nessa turnê. Ao fundo, da esquerda para a direita: Pedro Vidal (contrabaixo), Luciano Perrone (bateria) e Chiquinho do Acordeom. Na ponta, o compositor Luiz Bandeira, convidado a participar da caravana como cantor. Não está na foto o teatrólogo Joraci Camargo (1898-1973), que acompanhou o grupo como roteirista e mestre de cerimônias. O autor da peça Deus lhe pague tinha a função de, durante os concertos, levar o ouvinte europeu a compreender certas características da música popular brasileira, sem didatismo, com textos interessantes e pontuais.

     

     

     

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    Diário da Manhã (Lisboa, Portugal)

     

    • O programa Ondas e Estrelas  (uma parceria da Rádio Nacional com a TV Rio – canal 13) transmite diretamente da Sala Leopoldo Miguês, da Escola Nacional de Música da UFRJ, concerto da Orquestra Sinfônica da Rádio Nacional. No programa, duas obras de Radamés Gnattali: o bailado O Negrinho do Pastoreio para orquestra, com regência do autor, e Brasiliana nº 6 – concerto para piano e orquestra, com regência de Ercole Varetto, tendo Radamés como solista. (Fonte: Diário Carioca, RJ, de 24/01).

     

    • Radamés grava na Continental o elepê Segredo para dois, com orquestra e coro, contendo sucessos do cancioneiro popular brasileiro.

     

    • A Odeon lança o elepê Radamés na Europa, com seu Sexteto e Edu – vol.1.

     

     

     

     

    • Radamés compõe:
      • Brasiliana nº 9 – para violoncelo e orquestra de câmara (finalizada em 1961) – dedicada a Paulo Santos
      • O negrinho do pastoreio (bailado) para grande orquestra [2]
      • Sonatina coreográfica (quatro movimentos dançantes) para dois pianos (do original para piano solo, de 1950)
      • Sonatina para flauta e orquestra de cordas [3] (transcrita da Sonatina para flauta e violão – ou piano –, de 1959)
      • Três movimentos para pequena orquestra (extraído da Sonatina para violão e piano, de 1957)

     

     

     

    • Estreia da peça A mais valia vai acabar seu Edgar, de Oduvaldo Vianna Filho, com músicas de Carlos Lyra, no Teatro de Arena da Faculdade de Arquitetura. É o nascimento da canção popular de protesto.

     

    • O filósofo Jean-Paul Sartre e sua esposa, a escritora Simone de Beauvoir, visitam o Brasil e são homenageados pelo governo federal.

     

    • No dia 21 de abril dá-se a inauguração de Brasília, a nova capital do Brasil. O Rio de Janeiro, antigo Distrito Federal, passa a se chamar Estado da Guanabara.

     

    • Jânio da Silva Quadros, apoiado por uma coligação de partidos conservadores, é eleito presidente da República. Para vice-presidente é eleito João Goulart, do PTB (Partido Trabalhista Brasileiro).

     

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    • [1]  O Sexteto Radamés Gnattali apresenta-se em Lisboa (Portugal), nos teatros São Luís e São Carlos. Neste último, Radamés apresenta o seu  Concerto nº 1 para harmônica de boca e orquestra de câmara, tendo Eduardo Nadruz (Edu da Gaita) como solista da  Orquestra Sinfônica do Conservatório de Música do Porto, com regência do autor. O Sexteto segue para a cidade do Porto e Coimbra. Na França, apresenta-se no Anfiteatro Richelieu, na Sorbonne, no Conservatório Nacional e na Rádio e TV Francesa, em Paris. Em Londres, apresenta-se na BBC, no Wigmore Hall, na Universidade de Oxford e no Royal College of Art. Em Roma, apresenta-se na TV Italiana e em casarões de cultura. Leia mais : revista Radiolândia nº294 de 21/11/1959   (pg. 25)  (pg. 26)  (pg. 27)  (pg. 56)   (fonte: Hemeroteca da Biblioteca Nacional)
    • [2]  Anotação da 1ª página “Do livro  ‘Contos gauchescos e lendas do sul’,  de J. Simões Lopes Neto”.
    • [3] Anotação de capa: “Gravado em disco Capitol  em Los Angeles por Marthim Rutherman (flauta) e Laurindo Almeida (violão) em 1960”. Fica a dúvida se a nota se refere à gravação da sonatina em sua forma original, para flauta e violão.