Radamés e seu tempo 1911-1920

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  • 1911

    • Nasce, no dia 08 de outubro, em Porto Alegre (RS), a pianista e professora de piano Aída Gnattali[1], irmã de Radamés.
     
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    Aída Gnattali, irmã de Radamés, com um ano de idade.
     
    • Nasce, em São Paulo (SP), o maestro e arranjador Leo Peracchi que forma, com Lyrio Panicali e Radamés, a linha de frente de orquestradores da Rádio Nacional, nos anos de 1940/50.
     
    • Pixinguinha (Alfredo da Rocha Viana Filho), com 14 anos, estreia profissionalmente como flautista de duas orquestras, no centro da cidade do Rio de Janeiro.
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    • [1] Aída Gnattali (Porto Alegre, 1911 – Rio de Janeiro, 2008) – como os irmãos Radamés e Ernani, iniciou seus estudos de piano e violino com a mãe Adélia e a prima Olga Fossati, respectivamente. Formou-se em piano em 1929 no Conservatório de Música de Porto Alegre. Nas décadas de 1950/60 formou com o irmão Radamés o duo de pianos Radamés e Aída Gnattali, com intensa atuação na Rádio Nacional, gravações fonográficas e concertos. Integrou, como 2º piano, o Sexteto Radamés Gnattali, com o qual excursionou pela Europa, em 1960. Dedicou-se, principalmente, ao ensino de piano e à profissão de copista musical, especialmente, da obra de Radamés.
     
  • 1913

    • Em dezembro, a violinista Olga Fossati, prima e professora de violino de Radamés, grava três discos para a Casa Edison (Odeon Record), no Rio de Janeiro[1].  

     

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    Olga Fossati e seu tio Paschoal Fossati gravam, no Rio de Janeiro, três discos para a Casa Edson (Odeon Record), datados de dezembro de 1913.

     

     

     

     

    raizes_Pascoal Fossati, tio de Radamés, estudou violoncelo e se formou na Bélgica. Mudou-se para a Capital Federal na década de 40 e ingressou na Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, onde trabalhou até aposentar-se. ‘Tocava muito bem, era muito bom músico, mas preferia sentar-se na última fileira. Tinha horror de aparecer’, lembra Aída Gnattali, sua sobrinha.

     

     

    • Nasce, no Rio de Janeiro (RJ), o poeta, escritor e compositor Vinícius de Moraes (Marcus Vinicius da Cruz de Melo Moraes), autor do poema Operário em construção, musicado por Radamés, em 1966, em forma de cantata popular.

     

    • Nasce, no Rio de Janeiro (RJ), o cantor, compositor e radialista Paulo Tapajós, que forma com Almirante, José Mauro, Haroldo Barbosa e Radamés, o melhor time de produção artística e musical da Rádio Nacional, nas décadas de 1940/50.

     

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  • 1914

    • Nasce, em Petrópolis (RJ), o violinista, compositor, pesquisador e professor César Guerra-Peixe.

     

    • Nasce, em Salvador (BA), o compositor Dorival Caymmi [1].

     

    • Pixinguinha (Alfredo da Rocha Viana Filho), com 17 anos, Donga (Ernesto dos Santos) e outros freqüentadores da casa da Tia Ciata [2] formam o Grupo de Caxangá.

     

    • O Corta-Jaca, de Chiquinha Gonzaga, é cantado e acompanhado ao violão, no Palácio do Catete, pela primeira dama, dona Nair de Teffé, jovem esposa do presidente Hermes da Fonseca e primeira caricaturista da imprensa brasileira (Rian), causando escândalo e provocando um ruidoso protesto de Rui Barbosa pelos jornais.

     

    • Em 28 de julho o Império Austro-Húngaro declara guerra à Sérvia, iniciando a Primeira Guerra Mundial.

     

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    • [1] Foi o baiano Dorival Caymmi, em 1938, que repassou a Radamés o pregão popular Flor da noite (“entoado pela vendedora de pipoca, nas noites de lua”). Radamés gostou tanto do tema que o utilizou em várias obras, como no inspiradíssimo 2º movimento da Sinfonia Popular nº 1.
    • [2] Hilária Batista de Almeida, famosa quituteira baiana, mais conhecida como Tia Ciata, organizava, em sua casa, na Cidade Nova, no Rio de Janeiro, rodas de samba e choro. Foi lá que teria sido criado o samba Pelo Telefone, de controvertida autoria.

     

     

     

  • 1915

    • Aos nove anos, Radamés é condecorado pelo cônsul da Itália, com direito a diploma e medalha, por sua atuação como regente e arranjador de uma pequena orquestra infantil, na Sociedade dos Italianos, em Porto Alegre.

     

     

    Juventude_“Minha mãe contava que as crianças foram parando de tocar, uma a uma, porque os arranjinhos não eram lá muito fáceis. Radamés foi ficando nervoso, mas continuou tocando até o fim, foi o único que não parou”, relembrava Aída, sua irmã.

     

    • Nasce, em São Paulo (SP), o compositor e multi-instrumentista de cordas dedilhadas, Garoto (Aníbal Augusto Sardinha), a quem Radamés dedica, em 1951, o Concertino nº 2 para violão e orquestra.

     

     

     

    Concertino nº 2 para violão e orquestra
    (redução da parte da orquestra para piano)

     

     

    • Nasce, no Rio de Janeiro (RJ), o cantor Orlando Silva (Orlando Garcia da Silva, 1915-1978), “o cantor das multidões”, considerado pela crítica especializada, o maior cantor brasileiro de música popular de todos os tempos [1].

     

     

    • A marcha Ai, Filomena (J. Carvalho Bulhões), é lançada pelo cantor Baiano (Manuel Pedro dos Santos). Sucesso do carnaval deste ano, a canção é uma gozação com o presidente Hermes da Fonseca, tido como um tipo azarado, apelidado pelo povo de “seu Dudu”.

     

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    • [1] Segundo Radamés, Orlando foi o primeiro cantor a lhe pedir que escrevesse um arranjo com orquestra de cordas. “Depois disso, todo mundo na Rádio Nacional começou a pedir arranjo com cordas”, contava o maestro.

     

  • 1916

    • Nasce, em Guaratinguetá (RJ), o violonista e compositor Dilermando Reis, a quem Radamés dedica a Sonatina para violão e piano, em 1957.

     

    • Nasce, em Jaguarão (RS), o harmonicista e compositor Edu da Gaita (Eduardo Nadruz), a quem Radamés dedica, em 1956, o Concertino nº 1 para harmônica de boca e orquestra de câmara.

     

     

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    Dedicatória da foto:

     

    “Radamés, as palavras são poucas e limitadas para exprimir o reconhecimento que te devo pela honra que me proporcionaste escrevendo o ‘concertino’ para a minha gaita. Aqui fica o grande e sincero abraço do Edu. Rio, 13-8-957.”

     

     

    • Sinhô (José Barbosa da Silva, 1888-1930) começa a se projetar tocando piano no clube Kananga do Japão, na Praça 11, Rio de Janeiro, contribuindo imensamente, ao longo de sua curta carreira de compositor, para a fixação do gênero samba.
  • 1917

    • Nasce, em Miracatu (SP), o violonista e compositor Laurindo Almeida, a quem Radamés dedica várias obras, entre as quais o Concerto nº 4 para violão e orquestra [1], de 1967.

     

     

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    Radamés e Laurindo, na década de 1940.

     

     

    • Em fevereiro, a Original Dixieland Jazz Band (ODJB) realiza sua primeira gravação nos Estados Unidos; é o primeiro disco gravado por um grupo de jazz.

     

    • A Casa Edison, do Rio de Janeiro, primeira gravadora do Brasil, lança o polêmico samba Pelo Telefone[2], registrado por Donga (Ernesto Joaquim Maria dos Santos, 1890-1974), gravado pelo cantor Baiano[3]. Estrutura-se o samba como gênero, ainda bastante calcado nas células rítmicas sincopadas do maxixe.

     

    • Greve operária em São Paulo, promovida pelos anarquistas. Esse movimento foi a primeira grande manifestação trabalhista no Brasil e se espalhou por várias cidades, como Curitiba e Rio de Janeiro.

     

    • Ano decisivo para a Primeira Guerra Mundial: os Estados Unidos entram oficialmente no conflito. A Rússia se retira para fazer a sua própria revolução. Lênin assume o poder e anuncia a vitória da Revolução Russa.

     

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    • [1] O subtítulo “Concerto à brasileira” atribuído a este concerto, não tinha a simpatia, nem a aprovação de Radamés.
    • [2] Posteriormente, foi registrada a parceria do jornalista Mauro de Almeida, o chamado “Peru dos pés frios”. Outros compositores também reivindicaram parceria no samba, como Sinhô.  O Samba Pelo Telefone é considerado, por alguns historiadores, o primeiro samba gravado e, por outros, o primeiro samba gravado a fazer sucesso no período de carnaval.
    • [3] Baiano (Manoel Pedro dos Santos, 1870-1944) foi o cantor que, em 1902, gravou para a Casa Edison o primeiro disco lançado no Brasil, registrando o lundu Isto é bom, de Xisto Bahia.

     

  • 1918

    • Nasce, no dia 04 de fevereiro, em Porto Alegre (RS), o maestro, compositor e arranjador Alexandre Gnattali Filho[1], irmão de Radamés.

     

    Juventude_
    Em 1925, os irmãos Aída, Radamés, Ernani e Alexandre ainda menino.

     

    • Nasce, no Rio de Janeiro (RJ), o bandolinista e compositor Jacob do Bandolim[1] (Jacob Pick Bittencourt, 1918-1969), a quem Radamés dedica, em 1956, a obra Retratos, para bandolim, conjunto regional de choro e orquestra de cordas; em 1957, o Concertino, para bandolim e orquestra de câmara, ao que consta, inédito.

     

    • Nasce, em Curitiba (PR), o maestro, pianista e compositor Alceu Bocchino (Alceo Ariosto Bocchino, 1918-2013), amigo e companheiro de Radamés de muitos anos, na labuta diária de concertos, estúdios de gravação, programas de rádio e televisão.

     

     

    • Fim da Primeira Guerra Mundial, com a assinatura do armistício entre a Alemanha e os Aliados.

     

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    • [1] Alexandre Gnattali Filho (1918-1990) estudou piano com o pai e a irmã Aída e harmonia com o maestro Roberto Eggers, em Porto Alegre. Em 1943 mudou-se para o Rio de Janeiro passando a estudar harmonia, contraponto e composição com Newton Pádua. Ingressou na Rádio Nacional como copista, passando, em pouco tempo, a arranjador e maestro, ali permanecendo até meados da década de 1960, quando a Rádio Nacional entra em colapso. É logo contratado pela extinta TV Excelsior e ingressa na gravadora CBS, como arranjador e maestro, onde permanece até aposentar-se. Trabalhou intensamente como compositor, arranjador e diretor de orquestra para gravações fonográficas, trilhas para cinema, teatro, rádio e televisão. Entre outras, dirigiu a montagem brasileira do musical norte-americano My fair lady, em 1961, com Bibi Ferreira e Paulo Autran. Assinou a direção musical de vários filmes, como O Petróleo e nosso (1954), Carnaval em Marte (1954), Treze Cadeiras (1957), Rio Zona Norte (1958) de Nelson Pereira dos Santos, O grande momento (1958), O Homem do Sputnik (1959), Minervina vem aí! (1959), Quanto mais samba, melhor (1961), Os Apavorados (1962), Entre mulheres e espiões (1962), entre outros. Casou-se em 1950 com a cantora Juanita Castilho (pseudônimo de Clarisse Maria de Noronha), com quem teve duas filhas, Sandra e Carla.
    • [2] Visite o site do Instituto Jacob do Bandolim

     

  • 1919

    • Surge, no Rio de Janeiro, o conjunto Oito Batutas, liderado por Pixinguinha (Alfredo da Rocha Viana Filho, 1897-1973), sob encomenda do gerente do Cine Palais.[1]

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  • 1920

    • Radamés, com 14 anos, é admitido no Conservatório de Música, pertencente ao Instituto de Belas Artes de Porto Alegre, já no 5º ano de piano, na classe do professor Guilherme Halfeld Fontainha.