1961

 

  • A Odeon lança o elepê Radamés na Europa, com seu Sexteto e Edu – vol. 2.

 

 

  • Nasce em Petrópolis (RJ) a cavaquinhista e compositora Luciana Rabello (Luciana Maria Rabello Pinheiro), a quem Radamés dedica, em 1983, a obra Variações sem tema, para cavaquinho e piano.
    Luciana integrou a primeira formação da Camerata Carioca [1].

 

 

  • Radamés compõe:
    • Brasiliana nº 9 para violoncelo e piano (redução da parte da orquestra para piano)
    • Concerto nº 2 para violino e grande orquestra – dedicado a Romeu Ghipsman (finalizado em 1962)
    • Concerto nº 3 (seresteiro) para piano e grande orquestra (finalizado em 1962)
    • Fantasia brasileira nº 5 para piano e grande orquestra

 

  • O CPC (Centro Popular de Cultura) da UNE (União Nacional dos Estudantes) é dinamizado com peças, filmes, discos e palestras.

 

  • Jânio Quadros assume a presidência da República. Após 7 meses de governo, no dia 25 de agosto, renuncia.

 

  • O vice-presidente João Goulart, após forte campanha legalista liderada por Leonel Brizola, toma posse; ainda assim, com poderes limitados, sob o sistema parlamentarista.

 

  • A Rádio Nacional, a partir da renúncia de Jânio, culminando com o golpe militar em 1964, que derrubará o presidente João Goulart, vive um período de grande instabilidade e de rápida decadência. Os músicos da orquestra são transferidos para a Rádio Ministério da Educação, que inaugura a nova Orquestra Sinfônica Nacional da Rádio MEC, voltada para a difusão de música erudita brasileira.

 

  • A RDA (República Democrática da Alemanha), a Alemanha comunista, dá início à construção do muro de Berlim.

 

  • John Kennedy é o novo presidente dos Estados Unidos.

 

___________

[1] Para Camerata Carioca, consulte o Glossário.

1945

  • Primeira audição mundial do Concerto para violino e piano, com acompanhamento de quarteto de cordas (1933), de Radamés Gnattali, no Auditório da ABI (Associação Brasileira de Imprensa, RJ), durante o Terceiro Concerto da Sociedade Brasileira de Música de Câmara; como solistas, Radamés e Célio Nogueira; regente, Leo Peracchi.

 

  • Primeira audição sul-americana do Concerto nº 2 para piano e orquestra (1936), executado, em Montevidéu, Uruguai, pela pianista gaúcha Nise Obino [1], com regência do maestro Carlos Estrada.

 

  • A Orquestra Sinfônica da BBC de Londres executa e grava a Brasiliana [nº 1] (1944), sob a regência de Clarence Reybould [2].

 

Brasiliana [nº 1]
Brasiliana [nº 1]

Brasiliana nº 1 para grande orquestra
Orquestra Sinfônica Nacional
Alceo Bocchino, regente
SOARMEC – S-004 (1997)

 

 

  • Em 24 de novembro, é fundada por Villa-Lobos, no Rio de Janeiro, a Academia Brasileira de Música [3]. Como membro fundador, Radamés é eleito para ocupar a cadeira n.º 2.

 

  • A gravadora Continental lança, de Radamés Gnattali, o choro Fumaça do meu cachimbo, com Francisco Sergi e sua Orquestra.

 

 

 

  • Radamés compõe:
    • Melodias do Brasil – para piano a quatro mãos (para principiantes)

 

 

  • Morre, em São Paulo (SP), o poeta, jornalista, escritor, fotógrafo, ensaista, folclorista, musicólogo Mário de Andrade.

 

  • Morre, no Rio de Janeiro (RJ), o maestro e compositor Francisco Braga.

 

  • Morre, em Nova York, o compositor húngaro Béla Bartók, a quem Radamés admirava como um dos três maiores compositores do século XX, ao lado de Rachmaninoff e Ravel.

 

 

  • O governo decreta anistia para os presos políticos e Luís Carlos Prestes é posto em liberdade, depois de cumprir 10 anos de prisão.

 

  • No Brasil, as Forças Armadas forçam a renúncia de Getúlio Vargas, que parte para o exílio, em São Borja (RS). Encerra-se um ciclo de 15 anos de ditadura no Brasil, embora tenha sido, também, um período de conquistas de direitos trabalhistas.

 

  • É fundado o PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), cujos organizadores são fiéis a Vargas.

 

  • Realizam-se em todo o Brasil eleições para o Congresso e para a presidência da República.

 

  • Benito Mussolini é fuzilado por guerrilheiros italianos.  Adolf Hitler se suicida em seu bunker na Alemanha.

 

  • Fim da Segunda Guerra Mundial, em 8 de maio. Três meses depois, o governo dos Estados Unidos autoriza o lançamento da bomba atômica em duas cidades do Japão, Hiroshima e Nagasaki.

 

__________

  • [1] Entrevista com a pianista Nise Obino – A Noite, 25/08/1945  (Fonte: Hemeroteca da BN) 
  • [2] O maestro envia a seguinte mensagem a Radamés:  “It has been a great pleasure for me, and the B.B.C. Symphony Orchestra, to record this delightful work.  I shall look forward to making  the acquaintance of more of Mr.Gnattali’s music, and also to playing ‘Brasiliana’  again.  Clarence Raybould.  Nov. 9. 1945”.
  • [3] Site da Academia Brasileira de Música: História

1943

  • Após a morte do maestro Alexandre Gnattali, em 1942, sua esposa Adélia e seus filhos, Aída, Alexandre e Maria Terezinha, deixam Porto Alegre e transferem-se definitivamente para o Rio de Janeiro.

 

  • Às 21h35 do dia 6 de janeiro estreia, na Rádio Nacional, o programa Um milhão de Melodias, sob o patrocínio de Coca-Cola Refrescos S.A [1] . Radamés é convidado a assumir a direção musical do programa, atuando como pianista, arranjador e regente da orquestra. Inicialmente criado para lançar o refrigerante no Brasil o programa, comandado por José Mauro, permanece 14 anos no ar. Para atender à diversidade de repertório exigida pelo novo programa, Radamés amplia a orquestra da casa à dimensão de uma sinfônica; completa os naipes das madeiras, metais, saxofones e cordas a arco, introduz a harpa, celesta e tímpanos. Na base rítmico-harmônica, dando sustentação a essa massa sinfônica, piano, percussão e um regional de choro completo [2].

 

recortes_

 

Ensaio de Um Milhão de Melodias.

 

 

documento

 

 

Abertura do programa Um Milhão de Melodias (prefixo de  Radamés Gnattali)

 

 

  • O pianista Arnaldo Estrela vence o concurso Columbia Concerts e, como prêmio, viaja aos Estados Unidos, onde se apresenta com as orquestras de Chicago, Washington e Filadélfia. No repertório, o Concerto nº 2 para piano e orquestra (1936), de Radamés Gnattali. Na Filadélfia, o maestro Eugene Ormandy, que dirigiu o concerto, escreve a Radamés no alto da partitura: “For Mr. Gnattali, with admiration for this excellent concerto.”  

 

 

 

  • Radamés, que trabalhava na gravadora Victor desde 1933, transfere-se para a Continental (fundada nesse mesmo ano) e grava os choros Remexendo e Assim é melhor, de sua autoria, com um quarteto de saxofones formado por Zacarias, Quincas, Coruja e Sandoval.

 

  • Ainda neste ano, a gravadora Victor lança, de Radamés, o choro Tristonho e a valsa Entardecer, com a Orquestra Típica Victor.

 

 

  • Radamés compõe:
    • Canadiana para grande orquestra sobre temas folclóricos do Canadá, em homenagem ao amigo Jan Zach, pintor canadense. 
    • Quarteto nº 2 para 2 violinos, viola e violoncelo – dedicado à Mina, apelido de Vera, sua primeira esposa.

 

 

  •  Nasce, em São Luiz (MA), o violonista Turíbio Santos (Turíbio Soares Santos), a quem Radamés dedica o primeiro dos Estudos para violão (1967), a Brasiliana nº 13 (1983) e a Pequena suíte (1985).

 

  • Morre, nos EUA, Rachmaninoff (Sergei Vasilievich Rachmaninoff), a quem Radamés admirava como um dos três maiores compositores do século XX, junto com Ravel e Béla Bartók

 

 

  • Estreia, no Rio de Janeiro, a peça Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues, um marco na história do moderno teatro brasileiro.

 

  • O governo promulga a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que regulamentou as relações entre patrões e empregados.

 

 

__________

  • [1] Fonte: Hemeroteca da Biblioteca Nacional A Noite, 6 de janeiro de 1943  (Ver 1937, notas 1 e 2)
  • [2] A base rítmico-harmônica da Orquestra Brasileira de Radamés era assim formada: Radamés (piano), José Menezes, Garoto e Bola Sete (cavaquinho e 2 violões), Pedro Vidal Ramos (contrabaixo), Luciano Perrone (bateria e tímpanos), João da Baiana (pandeiro), Heitor dos Prazeres (caixeta ou prato e faca), Bide (ganzá).

1942

  • Morre, em Porto Alegre (RS), aos 66 anos, Alexandre Gnattali, pai de Radamés.

 

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Alexandre Gnattali, professor de piano, fagotista e maestro. Leia mais em Acervo > fotos > raízes

 

 

  • Quando fala Radamés Gnattali, por Miguel Curi, para o jornal A Noite (RJ).

 

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Leia a entrevista completa em Recortes

 

  • Em 26 de abril, a BBC transmite o programa radiofônico A Voz de Londres em que é apresentado o recital da pianista neozelandesa Esther Fisher, que executa a Rapsódia Brasileira (1930) de Radamés.

 

  • Em 26 de maio, na Escola de Música do Rio de Janeiro é executada a Suíte para pequena Orquestra (1940) de Radamés Gnattali pela Orquestra PROMUSICA, sob a direção do maestro Edoardo de Guarnieri.

 

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Diário de Notícias –  Sociedade Pró-Música.

 

 

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Folhetim do Jornal do Commercio (RJ) – Pelo mundo da música, por Andrade Muricy.

 

 

 

 

 

  • Em 4 de julho, o maestro Edoardo de Guarnieri rege a Suíte para pequena Orquestra (1940) no Estudio Auditório S.O.D.R.E, em Montevidéu (Uruguai); a obra é calorosamente recebida pelo público e crítica.

 

 

 

  • Radamés compõe:
    • Concertino para piano, orquestra de cordas e flautadedicado ao pianista Tomás Terán.
    • Sinfonia Miniatura [1] (obra não localizada)

 

 

  • Nasce, no Rio de Janeiro (RJ), o compositor e cantor Paulinho da Viola (Paulo César Batista Faria) que homenageia Radamés, em 1978, com o choro Sarau para Radamés. Em retribuição, Radamés compõe Obrigado Paulinho.

            

 

  • O ministro da Educação e Saúde Gustavo Capanema cria o Conservatório Nacional de Canto Orfeônico, idealizado por Villa-Lobos, com a função de disseminar o ensino de música em toda a rede pública de ensino do Distrito Federal.

 

  • É instituído o cruzeiro como nova moeda brasileira em substituição ao mil-réis.

 

  • Depois de ter navios torpedeados na costa nordeste, o Brasil declara guerra às forças do Eixo (Alemanha, Itália e Japão).

 

  • É instalada no Brasil, no bairro de São Cristóvão (RJ), a primeira fábrica do refrigerante norte-americano Coca-Cola.

 

 

___________

  • [1] Título não encontrado no arquivo de Radamés, porém, citado no Boletim Informativo da Rádio Nacional (nº 2) de novembro de 1943, bem como no livro Radamés Gnattali – o eterno experimentador, de Valdinha Barbosa e Anne Marie Devos (Funarte-1984). É possível que a Sinfonia Miniatura seja, com título modificado,  as Três Miniaturas para orquestra – valsa, modinha e jongo, de 1940, constante no catálogo do compositor. Esta, por sua vez, é uma versão da Suíte miniatura (ou Três miniaturas), para piano solo, provavelmente, de 1935. Tal Suíte está citada em jornais da época, tais como o Correio da Manhã de 14/04 e 17/08 de 1937  e 10/09 de 1938.

 

1941

  • Lançado, na Argentina, o programa Hora do Brasil (Instantâneos Sonoros), da Rádio Municipal de Buenos Aires, transmitido em cadeia com a Rádio Nacional de Montevidéu (Uruguai). Radamés é contratado para organizar a orquestra da rádio e participar do programa. Em março, muda-se com a família para Buenos Aires, lá residindo por um semestre. Como reforço à orquestra, Radamés leva, do Brasil, os músicos Aristides Zacarias (saxofone), Marino Pissiali (trompete), Fernando Herman (violino) e Luciano Perrone (bateria) [1].

         recortes_1941. Sintonia

 

 

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Recepção dos artistas locais quando da chegada
de Radamés à Argentina, em março de 1941.

 

 

  • Na Argentina, a Associação Sinfônica do Rosário e o Instituto Argentino de Cultura Integral homenageiam Radamés executando obras de sua autoria, como o Concerto nº 1 para piano e orquestra (1934).

 

  • Na Escuela de Arte Cristiano Beato Angélico, Argentina, é apresentado o ciclo de canções Três poemas de Augusto Meyer (1931-1935), de Radamés, com a soprano brasileira Christina Maristany e o autor ao piano.

 

  • Em 09 de junho, no Instituto Argentino de Cultura Integral, são apresentados, de Radamés, a Rapsódia Brasileira (1930), o Quarteto n.º 1 (1939) e outras canções. Como solistas, o Cuarteto Renascimiento, a soprano brasileira Christina Maristany, o baterista Luciano Perrone e o autor, ao piano.

 

programas_

 

 

  • De volta ao Brasil, Radamés é agraciado com o Prêmio Roquete Pinto pelos serviços prestados ao engrandecimento do rádio e da música brasileira.

 

 

  • Radamés compõe:
    • Concerto para violoncelo e orquestra de câmera – dedicado a Iberê Gomes Grosso
    • Concerto para violoncelo e piano (redução da parte de orquestra para piano)
    • Divertimento para quarteto de cordas e piano (composto em Buenos Aires)
    • Morena, morena para canto e piano
    • Música para rádio (coletânea de 8 peças originais, arranjadas para orquestra, compostas entre 1941 e 1959)
    • Ninando, para canto e piano com José Tisbierek – sobre tema popular brasileiro
    • Poema relativo para canto e piano – sobre poema de Jorge de Lima
    • Prelúdios nº 3 para piano – dedicado ao pianista espanhol Tomás Terán
    • Prenda Minha, para canto e piano (tempo de polca) – motivo popular – harmonização de Radamés
    • Tayeras (chula), para canto e piano (melodia do norte do Brasil, ambientada por Radamés Gnattali) – dedicada a Gastón Talamón.

 

 

  • Nasce, em Porto Alegre (RS), o pianista Roberto Szidon (José Roberto Szidon) que grava, em 1978, o elepê Radamés Gnattali – obras para piano / Piano Works, na Deutsche Grammophon.

 

 

  • Uma comissão de músicos encabeçada por Villa-Lobos e integrada por Oscar Lorenzo Fernandes, Brasílio Itiberê, Arnaldo Estrela, Radamés Gnattali, entre outros, é recebida em palácio pelo presidente Getúlio Vargas.
    Villa-Lobos, na ocasião, lê o memorial dos músicos brasileiros.

 

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  • É criada a Companhia Atlântida Cinematográfica, que dá novo impulso ao cinema brasileiro.

 

  • Walt Disney e equipe vêm ao Brasil com apoio da política de boa vizinhança e cooperação entre os países americanos, instituída pelo governo dos Estados Unidos, desde 1933. Dessa visita nasce o personagem Zé Carioca, apresentado no filme Alô Amigos em 1943 e Você já foi à Bahia? em 1944. Disney escolhe o samba Aquarela do Brasil, de Ary Barroso, para musicar o filme Alô Amigos.

 

  • Getúlio Vargas cria a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em Volta Redonda, RJ [2].

 

 

 

 

__________

  • [1] Leia a reportagem completa em Recortes > 1941 – Sintonia.
  • [2] FGV/CPDOC: Fundação da CSN

 

 

 

 

 

 

 

 

 

1940

  • Nasce, a 22 de maio, no Rio de Janeiro (RJ), Roberta Gnattali [1], filha de Radamés e Vera.

 

Quarteto no. 1

 

  • Em 19 de abril, o Quarteto Borgerth [2] grava, na Columbia, o Quarteto nº 1  de Radamés Gnattali, composto em 1939. É a primeira obra de música erudita do compositor a ser registrada em disco.

 

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  • Em 17 de julho, dá-se a primeira audição pública do Quarteto nº 1,  na Escola Nacional de Música, no Rio de Janeiro, pelo Quarteto Borgerth.

 

 

recortes_Gazeta de Notícias (RJ)
O maestro Radamés Gnattali grava em discos “Columbia”.

 

 

 

 

 

 

 

Quarteto nº 1 para 2 violinos, viola e violoncelo
I – Movido (trecho)
Quarteto Borgerth  
Columbia -95075ª / 271-1 (1940)

 

 

  • A gravadora Victor lança, de Radamés Gnattali, a canção Gaita, sobre poema de Augusto Meyer, interpretada pela cantora Christina Maristany, com orquestra e regência do autor.

 

  • Para comemorar o seu 4º ano de fundação, a Rádio Nacional apresenta um concerto com composições de Radamés Gnattali. No programa, Rapsódia Brasileira para piano (1930).

 

  • Neste ano, Radamés faz arranjos e participa da criação da trilha do filme Argila, de Humberto Mauro, com músicas de Villa-Lobos e Heckel Tavares.

 

  • Na Rádio Nacional, Almirante, José Mauro e Radamés organizam o programa Instantâneos Sonoros [3], documentário musicado sobre o folclore brasileiro.

 

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A Noite (RJ)
“Instantâneos sonoros do Brasil”

 

  • Na Alemanha, o renomado pianista espanhol José Arriola [4] executa, de Radamés Gnattali, a Fantasia Brasileira [nº 1] para piano e orquestra, com a Orquestra da Rádio de Berlim, sob a regência de Georg Wach.

 

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Carioca (RJ) > “Radamés, músico do Brasil”, por Leo Laner.

 

 

Radamés compõe:

    • A casinha pequenina, para canto e pianosobre motivo popular (autor desconhecido)
    • Azulão, para canto e pianosobre poema de Manoel Bandeira
    • Quarteto popular, para quarteto de cordas
    • Suíte para pequena orquestra
    • Três Miniaturas (valsa, modinha e jongo), para orquestra (do original para piano solo, de 1937)
    • Trio Miniatura, para piano, violino e violoncelo

 

 

 

  • O maestro e compositor José Siqueira funda, no Rio de Janeiro, a Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB), permanecendo como seu diretor até 1948.

 

  • O poeta gaúcho Mário Quintana estreia magistralmente com Rua dos Cataventos.

 

  • A Rádio Nacional é encampada pelo governo, tornando-se a maior e mais importante emissora de rádio do país [5].

 

  • Getúlio Vargas institui o salário mínimo.

 

  • Hitler invade a França e toma Paris.

 

 

 __________

[1] Roberta Gnattali formou-se em Medicina em 1966, na Faculdade Nacional de Medicina da Praia Vermelha, Rio de Janeiro. Em 1968, ingressou na Sociedade de Psicanálise Iraci Doyle, concluindo a Formação em Psicanálise em 1975.
[2] O Quarteto Borgerth (indicado no selo do disco como Quarteto Carioca) era formado por Oscar Borgerth (violino), Alda Borgerth (violino), Edmundo Blois (viola) e Iberê Gomes Grosso (violoncelo).
[3] Leia a reportagem completa em Recortes.
[4] Leia a reportagem completa em Recortes.
[5] “Até então, a emissora pertencia a um grupo empresarial do qual faziam parte o jornal A Noite, a Rio Editora, a Companhia Estrada de Ferro São Paulo – Rio Grande e milhares de alqueires de terras no Paraná e em Santa Catarina. Tudo isso foi incorporado pelo governo no dia 08 de março de 1940, quando Getúlio Vargas instituiu o decreto-lei n.º 2073,  para pagar uma dívida de três milhões de libras esterlinas assumida pelo grupo, com o aval governamental”.  (SAROLDI, L. C.; MOREIRA, S. V. Rádio NacionalO Brasil em Sintonia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2005).

1939

  • O Brasil participa da Feira Mundial de Nova York (The Golden Gate International Exposition) e envia gravações de música erudita de vários compositores brasileiros, tais como Carlos Gomes, Alberto Nepomuceno, Alexandre Levy, Henrique Oswald, Lorenzo Fernandes, Francisco Mignone, Camargo Guarnieri, Villa-Lobos e Radamés Gnattali. De Radamés, a peça escolhida é a Fantasia brasileira (1937), especialmente gravada para o evento pela Orquestra do Sindicato Musical do Rio de Janeiro sob a regência de Romeu Ghipsman, com o autor ao piano [1].

 

 

 

Fantasia Brasileira nº1 – para piano e orquestra
I – Animado (trecho)
Orquestra do Sindicato Musical do Rio de Janeiro
Romeu Ghipsman, regente
Radamés Gnattali, piano
(Gravação não lançada comercialmente.
Arquivo particular de Humberto Franceschi) 

 

 

  • Estreia dia 28 de julho no Theatro Municipal do Rio de Janeiro a Revista Joujoux e balangandans, reunindo as orquestras das rádios Mayrink Veiga e Nacional, com arranjos e regência de Radamés Gnattali. No espetáculo, a novidade é a estreia de Aquarela do Brasil, de Ary Barroso. Ainda neste ano, Francisco Alves grava a canção, na Odeon, com um célebre arranjo de Radamés [2].

 

Joujoux e balangandãs

Joujoux e balangandans

 

  • Em outubro, a Companhia de Jardel Jércolis estreia, no Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro, a opereta O tesouro do Sultão, de Ariovaldo Pires (Capitão Furtado), com música e regência de Radamés.

 

  • Em dezembro, a Rádio Nacional apresenta em seu estúdio, só para convidados, a primeira audição do Quarteto nº1 para 2 violinos, viola e violoncelo [3] de Radamés, composto neste mesmo ano. Obra dedicada a Jorge de Lima, teve como intérpretes Romeu Ghipsman e Célio Nogueira (violinos), Edmundo Blois (viola) e Iberê Gomes Grosso (violoncelo).

 

  • A gravadora Odeon lança, de Radamés, o choro Alma Brasileira e a batucada Eu hei de ver você chorar (em parceria com Ocis), com a orquestra da gravadora.

 

  • É lançado o filme Onde estás felicidade? com direção de Mesquitinha e músicas de Radamés e Luciano Perrone, dentre as quais a canção tema Onde está felicidade?

 

 

Radamés compõe:

    • Cantilena para quarteto de cordas
    • Quarteto nº 1 para 2 violinos, viola e violoncelo – dedicado ao amigo Jorge de Lima
    • Valsas para pianociclo de 10 valsas dedicadas ao pianista espanhol José Arriola, editadas em 1945.

 

 

  • Nasce, no Rio de Janeiro (RJ), o compositor, professor e maestro Ricardo Tacuchian.

 

 

  • Surge, no Rio de Janeiro (RJ), o grupo Música Viva [4], fundado pelo professor e compositor Hans-Joachim Koellreutter, imigrante alemão, chegado ao Brasil em 1937.

 

  • Dorival Caymmi grava o seu primeiro disco, com participação de Carmen Miranda na faixa O que é que a baiana tem.

 

  • Carmen Miranda embarca para os EUA com o grupo vocal Bando da Lua [5].

 

  • O Estado Novo de Getúlio Vargas, que muito apreciou o novo tipo de samba lançado por Ary Barroso, o samba-exaltação, passa a recomendar aos compositores populares que abandonem o tema da malandragem carioca em suas músicas.

 

  • É criado o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), que tem como funções principais a promoção dos atos do governo e a censura aos meios de comunicação.

 

  • Os EUA reforçam, na América Latina, a “Política de boa vizinhança” (iniciada em 1933) e emprestam ao Brasil 50 milhões de dólares.

 

  • A Alemanha invade a Polônia, é o começo da Segunda Guerra Mundial.

 

  • Realiza-se, em Nova York (EUA), a primeira transmissão pública de televisão.

 

__________

[1] Dados constantes no selo das 3 faces dos discos de 78 rpm, de 12”,  gentilmente digitalizados e cedidos pelo pesquisador e escritor Humberto Franceschi para esta catalogação.
[2] Sobre o famoso “tan, tan, tan – tan, tan, tan”  Radamés conta: “Esse negócio não é meu, não. É do Ary. O Ary queria que eu usasse isso nos contrabaixos, mas não ia fazer efeito nenhum, ia ficar uma droga. Eu então botei cinco saxes fazendo aquilo. O que eu inventei foi o arranjo, pra botar a sugestão no lugar certo”. Depoimento para o MIS-RJ, 1985.
[3] Leia a crítica de Luiz Heitor Correa de Azevedo em Recortes > 1940 – Vamos ler.
[4] Integraram o grupo Música Viva compositores, musicólogos e críticos, tais como Luiz Heitor Corrêa de Azevedo, Brasílio Itiberê, Luiz Cosme, Octávio Bevilcqua, Vasco Mariz, Cláudio Santoro, Eunice Katunda, Edino Krieger e Guerra-Peixe. O grupo teve no compositor Camargo Guarnieri o seu maior opositor.
[5] Carmen Miranda embarca para a América do Norte, sendo a principal contrapartida brasileira à “Política de boa vizinhança”, programa de cooperação entre os países americanos, instituído pelo governo dos Estados Unidos. Carmen  era responsável por representar não só o Brasil mas o “South American way”.

1938

  • Em agosto, Radamés realiza um concerto com suas composições na Escola Nacional de Música, no Rio de Janeiro. No programa, Sonata para violoncelo e piano (1935), Poema para violino e piano (1934), Trio para violino, violoncelo e piano (1933). Participação de Iberê Gomes Grosso (violoncelo), Romeu Ghipsman (violino) e o autor ao piano.

 

Radamés compõe:

    • Flor da noite para violino e piano – inspirado em um pregão baiano repassado a Radamés por Dorival Caymmi.
    • Flor da noite para violoncelo e piano (do original para violino e piano)

 

  • Almirante estreia, na Rádio Nacional, o programa Curiosidades Musicais, primeiro programa de rádio transmitido em rede nacional.

 

  • Lampião, Maria Bonita e mais nove cangaceiros são mortos e decapitados pela polícia na fazenda de Angico, em Sergipe.

 

 

  • Realiza-se o I Congresso Nacional dos Estudantes, que dá origem à formação da UNE – União Nacional dos Estudantes.

 

  • Adolf Hitler assume poderes absolutos, ditatoriais, na Alemanha; a Áustria é anexada ao III Reich.

1937

  • Primeira audição da Sonata nº 1 para violoncelo e piano (1935), de Radamés Gnattali, na Escola Nacional de Música, no Rio de Janeiro, executada pelo violoncelista Iberê Gomes Grosso (a quem a peça é dedicada), acompanhado ao piano pelo autor.

 

 

programas_

 

 

 

 

Sonata nº 1 para violoncelo e piano
I. Movido
(trecho)
Antonio Del Claro, violoncelo
Glacy Antunes de Oliveira, piano
(Paulus – 11558-4. São Paulo, 1997)

 

 

  • Em sua edição de 14 de abril, o jornal Correio da Manhã publica o resultado do ‘concurso de composição de suítes para piano’, de 1936, realizado pela Associação dos Artistas Brasileiros. O prêmio de melhor composição é concedido em chave, empatados, a Radamés Gnattali, pela suíte Valsa, Modinha e Jongo [1] e a Brasílio Itiberê, pela suíte Invocação, Coral e Dança. O júri foi constituído pelos compositores Lorenzo Fernandes e Francisco Mignone, o crítico musical e professor Octavio Bevilacqua, o presidente da A.A.B. Andrade Muricy e a pianista Noemi Coelho Bittencourt.

 

  • Primeira audição mundial do Concerto nº 2 para piano e orquestra (1936), de Radamés Gnattali, na Rádio Nacional do Rio de Janeiro, tendo como solista o pianista Arnaldo Estrela, com a orquestra sinfônica da rádio sob a regência do autor.

 

  • A Revista Turismo organiza o programa Meia Hora de Música Brasileira, com a orquestra do maestro Simon Bountman, transmitido ao mundo inteiro pela Rádio Nacional. Com arranjos de Radamés, são apresentadas as músicas Cidade Maravilhosa, de André Filho, Carinhoso, de Pixinguinha, No Tabuleiro da Baiana, de Ary Barroso, e, em primeira audição, a Fantasia Brasileira [nº 1] para piano e orquestra, do próprio Radamés. Esta última teve a sua partitura editada e distribuída pela Revista Turismo para todas as embaixadas e delegações do Brasil no exterior.

 

  • A gravadora Victor lança, de Radamés, os choros Cabuloso e Recordando com o Trio Carioca, formado por Luiz Americano (clarinete), Radamés Gnattali (piano) e Luciano Perrone (bateria). 

 

  • Radamés utiliza pela primeira vez, a pedido do jovem cantor Orlando Silva, uma orquestra de cordas nos arranjos das músicas Lábios que beijei e Juramento falso, ambas de J. Cascata e Leonel Azevedo. Apesar das críticas dos puristas aos arranjos considerados americanizados Orlando vende milhares de discos.

 

 

Radamés compõe:

    • Fantasia brasileira [nº 1] para piano e orquestra 
    • Lenda nº 2 para violino, violoncelo e piano
    • Modinha para canto e piano – sobre poema de Manoel Bandeira – dedicada à Christina Maristany.
    • Valsa, modinha e jongo – suíte para piano (obra desaparecida, citada em jornais da época) [2] 

 

 

  • Nasce, no Rio de Janeiro (RJ), o bandolinista e compositor Joel Nascimento, a quem Radamés dedica, entre outras obras, o Concerto para bandolim e orquestra de cordas, em 1985.

 

  • Morre, em Paris, o compositor Maurice Ravel (Maurice Joseph Ravel), a quem Radamés admirava como um dos três maiores compositores do século XX, ao lado de Rachmaninoff e Béla Bartók.

 

  • Morre, em Beverly Hills (Califórnia, EUA), o compositor George Gershwin.

 

 

  • O radioteatro, que até então apresentava pequenos diálogos humorísticos, passa a irradiar peças completas na Rádio Nacional. 

 

  • Tem início o Estado Novo. Getúlio Vargas fecha o Congresso e assume poderes ditatoriais. Uma nova constituição, a chamada Polaca, com características fascistas, é imposta ao país.

 

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  • [1] Fonte: Hemeroteca da Biblioteca Nacional – Correio da Manhã, 14/04/1937 
  • [2] Fonte: Hemeroteca da Biblioteca Nacional – Correio da Manhã,   “Recital do pianista Arnaldo Estrella” –  17/08/1937  ;  Prêmio de piano  Associação dos Artistas Brasileiros –  10/09/1938

1936

  • Nasce, a 18 de julho, no Rio de Janeiro (RJ), Alexandre Gnattali [1], primogênito do casal Radamés e Vera.

 

Juventude_
Alexandre, com os avós paternos, Alexandre e Adélia, e Bulungo, o papagaio da tia Aída. Porto Alegre, 1937.

 

  • Radamés completa 30 anos.

 

  • Em 12 de setembro é inaugurada a PRE-8, SociedadeRádio Nacional do Rio de Janeiro. Radamés é contratado inicialmente como pianista de orquestra passando, em pouco tempo, a arranjador e maestro.

 

 

profissional_

  • 1936. Radamés ao piano na PRE-8 Sociedade Rádio Nacional, tendo à frente o microfone da emissora, ícone da Era de Ouro do rádio brasileiro.

 

 

 

profissional_

A Orquestra All Star, uma das orquestras da Rádio Nacional, em 1936, era formada por 2 trompetes, trombone, 2 saxofones altos (ou 2 clarinetes), saxofone tenor, piano, contrabaixo e bateria. Radamés era o pianista da orquestra e a regência ficava a cargo de Simon Boutman. Ao fundo, na bateria, Luciano Perrone. Nota-se que a orquestra possuía um set de percussão considerável, com tímpanos, gongo, vibrafone, bateria.

 

 

  • Radamés assina os arranjos e a direção musical da revista em dois atos e 40 quadros, Parada das Maravilhas [2], encenada no Theatro Municipal do Rio de Janeiro nos dias 10 e 18 de outubro. Leia mais em Música em cena > teatro / dança.

 

  • A gravadora Victor lança, de Radamés, o choro Amoroso e as valsas Duas da Manhã, Primavera de amor, Zeli e Relembrando o passado. Todas as faixas com a Orquestra Típica Victor.

 

 

Radamés compõe:

    • Concerto nº 2 para piano e orquestra
    • Lenda e Choro para quarteto de cordas
    • Rapsódia para dois pianos e jazz (incompleto) [3]
    • Valsa, Modinha e Jongo [4] (Ano da composição aproximado. Obra não localizada, citada em jornais da época, ora como Suíte, ora como Miniaturas. Em 1940 Radamés transcreveu esta peça para grande orquestra com o título Três Miniaturas – Valsa, Modinha e Jongo).

 

 

  • Nasce, no Rio de Janeiro, o pianista e compositor Luizinho Eça (Luiz Mainzi da Cunha Eça), a quem Radamés dedica, na década de 1960, o Concerto Carioca nº 2, para trio de piano, contrabaixo e bateria com grande orquestra.

 

 

  •  Oscar Niemeyer e Lúcio Costa projetam a sede do Ministério da Educação e Saúde, no Rio de Janeiro. A inspiração veio do arquiteto suíço Le Corbusier, com linhas retas e um novo conceito de funcionalidade.

 

  • É inaugurado, no Rio de Janeiro, o Aeroporto Santos Dumont.

 

  • É realizada, na Alemanha, a primeira gravação de um concerto em fita magnética.

 

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  • [1] Alexandre Genuíno Gnattali formou-se em Odontologia em 1963. Em 1969 viajou para a Índia onde estudou na escola Kaivalya Dahma, na vila de Lonavla, estado de Maharastra, formando-se professor de Yoga. De volta ao Brasil, ingressou na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), no curso de Educação Física, graduando-se em 1976.
  • [2] Fonte: Hemeroteca da Biblioteca Nacional –  Jornal do Brasil, de 10/10/1936  e 18/10/1936.
  • [3] A Rapsódia para 2 pianos e jazz  (1936) parece ser a primeira versão da Fantasia Brasileira nº 1 para piano e orquestra, esta, de 1937.
  • [4] Fonte: Hemeroteca da Biblioteca Nacional – Correio da Manhã, de 07/08/1937

1935

  • Em 21 de junho, Radamés apresenta o seu Concerto [nº 1], para piano e orquestra (1934), em primeira audição mundial, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, com a Orquestra Municipal, sob a regência do maestro Henrique Spedini.

 

 

 

 

 

 

Festa – Revista de arte e pensamento – 2ª phase – anno I –  agosto de 1935 – nº 9 (RJ) ‘Radamés Gnattali – concerto para piano e orquestra’, por Brasílio Itiberê

 

 

 

  • A gravadora Victor lança, de Radamés, os choros Saudoso, Tristonho, o choro-batuque Dengoso, a polca-choro Estilo da Vila [1], as valsas Berenice e Entardecer e o arranjo da moda riograndense Prenda minha, interpretada por Almirante e Paulo Tapajós.

 

 

Radamés compõe:

    • Alma Brasileira (choro), para piano e orquestra de cordas (do original para piano)
    • Gaita, para piano e canto (terceira canção da série Três poemas de Augusto Meyer, iniciada em 1931)
    • Sonata nº 1 para violoncelo e piano – dedicada a Iberê Gomes Grosso

 

 

 

  • Nasce, em 28 de março, no Rio de Janeiro (RJ), o poeta, escritor, compositor e produtor Hermínio Bello de Carvalho, responsável por históricas produções artísticas brasileiras, entre shows, concertos, espetáculos musicados, gravações fonográficas. Como diretor da Divisão de Música Popular da FUNARTE, nas décadas de 1970/80, Hermínio criou um importante núcleo de pesquisas de música popular brasileira, com apoio institucional a projetos artístico-culturais que resultaram em edição de livros, discos, partituras e montagem de espetáculos.

 

  • Morre, em São Paulo (SP), Zequinha de Abreu (José Gomes de Abreu), compositor do célebre choro Tico-tico no fubá.

 

  • Morre, no Rio de Janeiro (RJ), a maestrina e compositora Chiquinha Gonzaga (Francisca Edwiges Neves Gonzaga), a quem Radamés reverencia no 4º movimento de Retratos, para bandolim solista, regional de choro e orquestra de cordas (1956).

 

 

 

  • Eclodem rebeliões militares em batalhões do Rio Grande do Norte, Pernambuco e Rio de Janeiro. O movimento fica conhecido com o nome de Intentona Comunista.

 

  • São inauguradas mais duas rádios no Rio de Janeiro: Tupi e Ipanema.

 

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  • [1] Esta polca-choro foi gravada com o título Estilo da Vila (Victor-33978b). No entanto, nas partes cavadas, com nº de arquivo  C-177, da Sociedade Rádio Nacional, consta o título Estilo da Vida. Não há uma grade com a orquestração. As partes disponíveis são: piano (guia de regência), flauta, clarinete, 2 violinos (em uma pauta), baixo.

1934

  • A já consagrada cantora Bidu Sayão convida Radamés para acompanhá-la como pianista em sua tournée pelo sul do Brasil. De passagem por Porto Alegre, a cantora, num gesto generoso de incentivo ao jovem compositor, inclui no programa o seu Trio nº 1, para piano, violino e violoncelo (1933). A peça, executada no 3º recital da cantora, em Porto Alegre, dia 25 de outubro, no Teatro São Pedro, foi interpretada por Radamés (piano), Carlos Baroni (violino) e Nelson Cintra (violoncelo).

 

Trio nº 1, para piano, violino e violoncelo (1933)
Trio nº 1, para piano, violino e violoncelo (1933)

 

recortes_26.10.1934 (sem referência) » Crítica: “O concerto despedida de Bidú Sayão – Uma brilhante e vigorosa obra musical de Radamés Gnattali”.

 

 

 

  • Radamés participa como pianista acompanhador do último concerto de despedida da cantora Bidu Sayão, realizado no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, dia 02 de dezembro [1].

 

  • A gravadora Odeon lança o choro Serenata no Joá e a valsa Vilma, ambas de Radamés, com solo de clarinete de Luiz Americano.

 

 

 

  • Morre, no Rio de Janeiro (RJ), o compositor e pianista Ernesto Nazareth, uma das maiores referências musicais de Radamés, desde a juventude.

 

 

Radamés compõe:

    • Canção e Dança, para contrabaixo e piano
    • Canto, sobre um tema de aboio, para fagote e piano – “ao meu pai”.
    • Concerto nº 1 para piano e grande orquestra 
    • Poema nº 1 para violino e orquestra de câmara – dedicado a Célio Nogueira
    • Poema nº1 para violino e piano – (redução da parte de orquestra para piano) – dedicado a Célio Nogueira.

 

 

  • São inauguradas mais três rádios no Rio de Janeiro: Rádio Difusora, da Prefeitura (depois Roquete Pinto), Rádio Cruzeiro do Sul e Rádio Transmissora.

 

  • Estreia a Hora do Brasil, programa radiofônico do Governo Federal que mais tarde passa a se chamar A voz do Brasil.

 

 

  • É promulgada a segunda Constituição da República, beneficiando os trabalhadores e regulamentando o voto feminino. É criada a Justiça do Trabalho.

 

  • Adolf Hitler assume poderes de chefe de Estado na Alemanha.

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[1] Fonte: Hemeroteca da Biblioteca Nacional – Correio da Manhã: 04/12/1934

1933

  • Estreia de Radamés no cinema como compositor e diretor musical do filme Ganga Bruta, de Humberto Mauro. A gravadora Columbia lança a valsa Teus olhos, água parada, uma das canções do filme, interpretada pelo cantor Moacir Bueno Rocha.

 

  • A gravadora Victor lança, de Radamés, as valsas Vibrações d’alma e Saudosa, e a polca-choro Conversa fiada.

 

 

Radamés compõe:

    • Concerto para violino e piano, com acompanhamento de quarteto de cordas
    • Rapsódia Brasileira para dois pianos (versão do original para piano solo) – dedicada a Brutus Pedreira e Ayres de Andrade
    • Trio nº 1 para violino, violoncelo e piano
    • Valsa para dois pianos – dedicada a Cândido Portinari
    • Valsas Brasileiras nº 1 para piano – “para minha irmã Aída”.

 

 

  • A prefeitura do Rio de Janeiro apoia oficialmente o desfile das Escolas de Samba, sob o patrocínio do jornal O Globo. São proibidos os instrumentos de sopro e a ala das baianas torna-se obrigatória.

 

  • Inaugurada a política de boa vizinhança pelos EUA [1].

 

 

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[1] Para saber mais, clique FGV CPDOC

 

 

 

1932

  • Radamés casa-se com Vera Maria Bieri, pianista formada, natural de São Leopoldo (RS), sua companheira por 33 anos, com quem teve dois filhos, Alexandre e Roberta.

 

Juventude_
Radamés e  Vera

 

 

  • Sob a regência do maestro Francisco Braga, Radamés apresenta-se no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, interpretando o Concerto em Si bemol de Tchaikovsky [1].

 

recortes_
Correio da manhã (RJ) – 06.10.1932
» Primeiro concerto de Assignatura da Symphonica.

 

  • Sem possibilidade de sobreviver no Rïo de Janeiro apenas como concertista e compositor de música erudita, Radamés passa a atuar no mercado de música popular tocando piano ou viola em orquestras de cinema e de baile.

 

 

profissional_A música popular já fazia parte do seu dia a dia desde Porto Alegre, onde participava de conjuntos de choro e samba e da “Ideal Jazz Band”.
Na foto, Radamés é o do cavaquinho, à direita.

 

 

 

  • A pianista Dora Bevilacqua executa a Rapsódia Brasileira (1930), de Radamés, no Instituto Nacional de Música.

 

  • Em 21 de outubro, a Companhia de Theatro Typico Brasileiro estreia, no Theatro João Caetano, do Rio de Janeiro, a peça musicada Marquesa de Santos, de Luís Peixoto e Baptista Júnior, com músicas e regência de Radamés Gnattali.

 

programas_

 

  • No dia 18 de novembro, no Theatro João Caetano, em substituição à Marquesa de Santos, a grande Companhia de Teatro Typico Brasileiro estreia a peça de costumes, em 2 atos e 6 quadros, Sertão, de Jayme Ovalle e Radamés Gnattali, este, autor das músicas e regente.

 

  • Ainda em novembro, a Associação dos Artistas Brasileiros, em seu 10º concerto, faz uma audição de composições de Radamés e de Luiz Cosme; entre os intérpretes, além dos autores, o violinista Oscar Borgerth e o violoncelista Iberê Gomes Grosso.

 

  • Radamés é contratado pela gravadora Victor Talking Machine Co. of Brazil como pianista das orquestras Típica Victor, Diabos do Céu e Guarda Velha, sob a direção do maestro Alfredo da Rocha Vianna Filho (Pixinguinha).

 

 

  • Nasce, em São José do Rio Preto (SP), o clarinetista, saxofonista, compositor e arranjador Paulo Moura (Paulo Gonçalves de Moura) a quem Radamés dedica, em 1959, Valsa triste, dentre uma série de peças para saxofone alto e piano.

 

 

Radamés compõe: 

    • Acalanto para orquestra de câmara
    • Nêgo veio tá sonhando (batuque) para violoncelo e pianodedicado a Iberê Gomes Grosso
    • Serestas nº 2 para quarteto de cordas

 

 

  • Realiza-se, na Praça Onze, o primeiro desfile competitivo das escolas de samba do Rio de Janeiro, sagrando-se campeã a Estação Primeira de Mangueira.

 

  • Villa-Lobos assume o cargo de diretor do SEMA – Superintendência de Educação Musical e Artística, órgão normativo e pedagógico do novo governo federal. Fica no cargo até 1945.

 

 

  • Eclode a guerra civil entre São Paulo e as forças getulistas, conhecida como Revolução Constitucionalista, terminando com a derrota dos oposicionistas.

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  • [1] A pesquisadora Valdinha Barbosa, biógrafa do maestro, em seu livro Radamés Gnattali – o eterno experimentador, informa que este é o último concerto de Radamés como intérprete de obras de outros compositores. A partir de então passará a apresentar-se publicamente interpretando, exclusivamente, peças de sua autoria.

1931

  • Composta no ano anterior, Radamés estreia sua Rapsódia Brasileira para piano, uma de suas primeiras obras de vulto.

 

 

 

 

Diário de Notícias (RJ)
29.03.1931

 

 

  •  A Sala Beethoven, em Porto Alegre, realiza o evento Noite Brasileira, apresentando obras dos compositores Radamés Gnattali e Luiz Cosme.

 

  • Orientado por seu ex-professor, Guilherme Fontainha, Radamés muda-se para o Rio de Janeiro com o objetivo de preparar-se para um concurso à vaga de professor catedrático do Instituto Nacional de Música, a ser realizado em alguns meses[1].

 

  • Radamés participa, no Rio de Janeiro, da programação do Quarto Concerto Oficial do Instituto Nacional de Música, de 1931, ao lado de Luciano Gallet, Villa-Lobos, Lorenzo Fernandes, Luiz Cosme e Camargo Guarnieri.

 

4º Concerto da Série Oficial de 1931 – Instituto Nacional de Música. (17.12.1931)

 

 

 

 

Correio da Manhã (RJ)
(coluna Correio Musical)
(12.12.1931)

 

 

 

 

 

  • Nasce, em Orobó (PE), o instrumentista, compositor e maestro Nelson de Macedo, a quem Radamés dedica o Divertimento a três para violino, viola e violoncelo, em 1983.

 

  • Nasce, em Juazeiro (BA), o cantor e compositor João Gilberto (João Gilberto do Prado Pereira de Oliveira, 1931-2019). A partir da sua gravação do samba Chega de Saudade, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, em 1959, historiadores e estudiosos da música popular brasileira o consideram fundador de um novo tipo de samba, que irá se fixar e consolidar, ao longo da década de 1960, como bossa nova [2].

 

 

 

  •  Radamés compõe:

 

    •  Para meu rancho, para canto e piano – versos de Vargas Netto (Obra citada na imprensa, a partitura não consta no arquivo do autor).
    • Pequena Suíte, para 2 violinos, viola, violoncelo e piano
    • Ponteio, Roda e Baile, para piano – com dedicatória à Vera, sua noiva.
    • Três poemas de Augusto Meyer, para canto e piano (I.Violão; II. Oração da Estrela Boieira; III. Gaita – esta última, finalizada em 1935). Obra dedicada ao barítono Adacto Filho.

 

 

 

 

III. Baile

Radamés Gnattali, por Olinda Alessandrini
FUNPROARTE – s/nº (POA, s/d)

 

 

 

  • Villa-Lobos reúne representantes das diversas classes sociais paulistas e organiza uma Concentração Orfeônica chamada Exortação Cívica, com a participação de cerca de 12 mil vozes.

 

  • O samba Se você jurar, de Ismael Silva, Nilton Bastos e Francisco Alves, gravado em dupla por Francisco Alves e Mário Reis, esboça uma nova batida de samba, menos amaxixada, que irá se fixar como padrão clássico do samba carioca até os dias de hoje.

 

  • Em 12 de outubro é inaugurada, no alto do morro do Corcovado, no Rio de Janeiro, a estátua do Cristo Redentor.

 

 

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[1] Getúlio Vargas resolve não realizar o concurso e faz uma nomeação para o preenchimento da vaga.

[2] Sobre a bossa nova, disse Radamés: “A batida da bossa nova tirou essa coisa [a acentuação no segundo tempo do samba], mas ficou uma outra coisa, que ficou mesmo e está aí. Ninguém pode negar isso. Em vez de um samba, agora, temos dois.” 

1930

  • Eclode no Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Pernambuco e Paraíba a Revolução de 1930 [1], que força a deposição de Washington Luís, dando fim à República Velha, célebre por suas eleições fraudulentas, pela compra e venda de votos, por favorecer, sempre, os interesses das oligarquias.

 

  • Radamés (com 24 anos), os irmãos Luiz e Sotero Cosme, entre outros amigos, alistam-se como voluntários nas forças revolucionárias. O pai, Alexandre, acompanha-os ao embarque. Ao chegar em Florianópolis, porém, a revolução havia terminado.

 

 

 

 

 

  • Em 17 de setembro, Radamés estreia como compositor, com um recital de piano no Teatro São Pedro, em Porto Alegre. As peças apresentadas são Prelúdio n.º 2 (Paisagem) e Prelúdio n.º 3 (Cigarra), ambas compostas neste mesmo ano.

 

 

programas_

 

 

 

 

 

  • O violinista Romeu Ghipsman grava, na Odeon, Canto de violino (1928), para violino e piano. Provavelmente, esta é a primeira composição de Radamés a ser lançada em disco.

 

 

 

  • Nasce no Rio de Janeiro (RJ) o violonista Manoel da Conceição (mais conhecido como “Mão de Vaca”) [2], por quem Radamés tinha grande admiração.

 

 

 

Radamés compõe: 

    • Alma Brasileira (choro) para piano
    • Prelúdio n.º 2 (Paisagem) para piano 
    • Prelúdio n.º 3 (Cigarra) para piano 
    • Rapsódia brasileira para piano – dedicada a Ângelo Guido
    • Serestas nº 1 para quarteto de cordas

 

 

 

  • São criados os primeiros programas de auditório nas rádios do Rio de Janeiro.

 

  • Adhemar Gonzaga cria a Cinédia, primeiro estúdio cinematográfico brasileiro.

 

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  • [1] Instala-se o governo provisório de Getúlio Vargas no Rio de Janeiro, capital da República. O presidente depõe todos os governadores dos estados e dissolve o Congresso Nacional. São criados o Ministério do Trabalho, da Indústria e Comércio e o Ministério da Educação e da Saúde Pública.
  • [2] Radamés, em depoimento no Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro, em 1985, declara: “No início da bossa nova, eu telefonava pra ele e perguntava: Manoel, como é a harmonia dessa música? Ele aí cantava as notas dos acordes, com as dissonâncias todas. É incrível!”. Manoel, presente ao depoimento, se justifica: “Eu sempre estudei, maestro, mas o ouvido sempre me atrapalhou”.

1928

  • Nasce em Natal (RN) o compositor e maestro Mário Tavares, a quem Radamés tinha grande estima e admiração.

 

  • Nasce, em Santa Cruz do Sul (RS), Romeu Seibel (Chiquinho do Acordeom) [1], a quem Radamés dedica, em 1977, o Concerto para acordeom e orquestra de cordas.

 

 

Radamés compõe:

    • Reminiscênciapara violino, flauta, fagote e piano
    • Reminiscênciapara quarteto de cordas com piano (transcrição)
    • Violinopara violino e pianoobra dedicada ao violinista e amigo Sílvio Grandi. Esta peça é uma transcrição de Romance (sem palavras), de 1927. Em 1930 Radamés grava esta peça, na Odeon, com o violinista Romeu Ghipsman, com o título de Canto de violino.

 

  • É fundada a primeira escola de samba, no Rio de Janeiro: a Deixa Falar [2], no bairro do Estácio.

 

  • Começa a circular, em São Paulo, a Revista de Antropofagia, na qual Oswald de Andrade publica o seu Manifesto Antropófago.

 

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  • [1]  Aprovado pelo maestro Radamés, Chiquinho ingressa na orquestra da Rádio Nacional em 1953 e, em 1954, no Sexteto Radamés  Gnattali.
  • [2] A escola de samba Deixa Falar foi fundada por um grupo de novos compositores e sambistas cariocas integrado por Ismael Silva, Bide (Alcebíades Barcelos), Mano Rubem (Rubem Barcelos, irmão de Bide), Mano Edgar (Edgar Marcelino dos Passos), Baiaco (Osvaldo Vasques), Brancura (Silvio Fernandes), Nilton Bastos, entre outros.

 

 

 

1927

  • Folha de identidade de Radamés, alistado no Tiro de Guerra, em Porto Alegre (RS), em 06 de janeiro.

 

certificado de reservista

 

 

 

Em 30 de dezembro de 1927, Radamés recebe a medalha de ouro do concurso que vencera em 1924 no Conservatório Musical de Porto Alegre. Aída Gnattali esclarece: ‘Radamés foi o único, daquela geração, que conseguiu tirar a nota máxima: 60 pontos. Depois dele, anos depois, só a Nise Obino conseguiu essa pontuação’.

 

 

  • A gravadora Odeon lança o primeiro suplemento de discos brasileiros gravados pelo sistema elétrico. Radamés, com 21 anos, participa como pianista acompanhador do violinista Anselmo Zlatopolsky em vários discos.

 

Imagem gentilmente cedida por Discoteca MB (Miguel Bragioni)

SOUVENIER – Franz Drdla
Solo de violino – Anselmo Zlatopolsky
Piano: Radamés Gnattali
Odeon – 10041-a (1927)

 

 

 

  • Nasce, em 25 de janeiro, no Rio de Janeiro (RJ), o compositor, pianista, arranjador e letrista Tom Jobim (Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim), a quem Radamés dedica o galopinho Meu amigo Tom Jobim [1]. Em retribuição, Tom compõe o choro Meu amigo Radamés. 

 

 

Radamés compõe:

    • Romance (sem palavras), para piano – dedicado à Vera, sua noiva.

 

 

 

 

 

  • É realizada, nos EUA, a première mundial do primeiro filme falado, o longa-metragem, produzido pela Warner Brothers, The Jazz Singer (O cantor de jazz), de Alan Crosland, estrelado por Al Jolson.

 

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  • [1] Em 1971 Radamés compõe a peça Musiquinha para Bis  (sobre o tema de “Domingo azul no mar”, de Tom Jobim e Newton Mendonça), dedicando-a ao Quarteto Guanabara. Mais tarde, reescreve a peça com o título definitivo de Meu amigo Tom Jobim e a grava na Odeon com seu sexteto e orquestra de cordas.  Visite o site do Instituto Antonio Carlos Jobim: http://www.jobim.org/

1926

  • Radamés completa 20 anos.

 

profissional_

 

  • Nasce no dia 10 de abril, em Porto Alegre (RS) Maria Terezinha, a caçula dos cinco irmãos Gnattali, a quem Radamés dedica a Tocata para piano em 1944.

 

raizes_

Maria Teresinha Gnattali
(1926 -1946)

 

  • De volta a Porto Alegre, após o sucesso obtido nos concertos realizados em São Paulo e Rio de Janeiro, Radamés passa a integrar, como violista, o Quarteto Henrique Oswald, ao lado dos irmãos Sotero e Luiz Cosme (violinos) e Carlos Kromer (violoncelo).

 

programas_

Quarteto Henrique Oswald

 

 

Radamés compõe:

  • Batuque, para piano [1] – dedicado ao amigo Omar Fonseca.

 

 

Batuque   
Olinda Alessandrini, piano
FUNPROARTE – s/nº (POA, s/d)

 

 

 

  • É fundada a Rádio Mayrink Veiga, no Rio de Janeiro, onde Radamés atua intensamente como pianista de concerto e de música popular.

 

 

  • Washington Luís é eleito presidente do Brasil, governando até 24 de outubro de 1930. Foi o último presidente da chamada República Velha.

 

__________

  • [1] Datada de 4 de maio de 1926, Batuque é a peça de concerto mais antiga, de autoria de Radamés, constante no arquivo particular do autor.

 

1925

  • Em 03 de outubro, Radamés participa do 20º Sarau da Sociedade Quartetto  Paulista, no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo. No programa, o mesmo repertório do concerto realizado no Instituto Nacional de Música, no Rio de Janeiro, no ano anterior. O professor Fontainha, que acompanha Radamés, envia a Porto Alegre um efusivo telegrama.

 

 

“Grande triumpho concerto hontem”

 

 


 

 

 

 

Jornal do Commercio (SP) – Crítica do concerto na Sociedade Quartetto Paulista, por Ernani Braga e Antônio de Sá Pereira.
“Radamés Gnattali só não é uma brilhante promessa, por ser uma deslumbrante realidade” (E.B.).

 

 

 

  • Recém fundado em 25 de julho, o jornal O Globo traz na sua segunda edição do dia 29 de outubro a seguinte nota:

“Por motivo de moléstia, o pianista Riograndense Radamés Gnattali deixará de realizar o seu recital anunciado para dia 31 do corrente, no Instituto Nacional de Música”.

 

 

 

  • A gravadora Victor lança, nos Estados Unidos, os primeiros discos comerciais gravados pelo sistema elétrico, com utilização de microfone.

 

1924

  • Radamés é levado ao Rio de Janeiro por seu professor Guilherme Fontainha para apresentar-se em recital no Instituto Nacional de Música, realizado no dia 31 de julho [1]. O concerto é um grande sucesso e a crítica carioca não lhe poupa elogios. Radamés é considerado a grande promessa do piano brasileiro [2]. Fontainha, em telegrama à longínqua Porto Alegre resume, em apenas duas palavras, o sucesso arrebatador de Radamés no Rio de Janeiro: “Radamés Triumphante”.

 

 

 

Oscar Guanabarino   
Jornal do Commercio (RJ)

 

 

 

  • Após o sucesso obtido no Rio de Janeiro, Radamés conclui o curso de piano no Conservatório de Música de Porto Alegre, sendo diplomado em 19 de dezembro; concorre e conquista o prêmio Araújo Vianna, com nota máxima e medalha de ouro.

 

 

 

 

 

Programa de concurso.

 

 

 

  • Nasce, no Rio de Janeiro (RJ), o flautista e compositor Altamiro Carrilho (Altamiro de Aquino Carrilho), a quem Radamés dedica, em 1966, as Serestas nº 2 para flauta e orquestra de cordas e, em 1972, o Divertimento para flauta em Sol e orquestra de cordas.

 

  • Eclode, em São Paulo, outra revolta tenentista contra o governo federal. Tem início a Coluna Prestes [3], liderada pelo capitão Luís Carlos Prestes, que percorre, em três anos, cerca de 30 mil quilômetros pelo interior do país.

 

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  • [1] No programa, a transcrição para piano do Concerto para Órgão, de Wilhelm Friedemann Bach/Stradal; Sonata em si menor e a Rapsódia n.º 9 (Carnaval de Pest), ambas de Franz Liszt.
  • [2] Leia crítica de Arthur Imbassahy no Jornal do Brasil (RJ), de 02/08/1924. (Fonte: Hemeroteca da Biblioteca Nacional)
  • [3] Consulte o site do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas

1923

  • Em julho, Radamés se apresenta no Conservatório Musical de Porto Alegre, como parte de um recital de alunos daquele instituto, interpretando a “Polonaise” opus 34 de H. Oswald.  Nesse mesmo recital, apresenta-se a jovem pianista Aída Gnattali, aluna da professora Julieta Leão, executando a Giga, de Araujo Vianna [1].

 

  • Radamés conclui o 8ª ano de piano, no Conservatório de Música de Porto Alegre, com menção honrosa.

 

 

 

 

  • Nasce, em Recife (PE), o compositor e cantor Luiz Bandeira [2] que, em 1959 grava na Continental o raro elepê Festa de Ritmos – Luiz Bandeira e suas músicas, com arranjos orquestrais de Radamés.

 

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  • [1] Fonte: O Jornal (RJ) de 02/08/1923.
  • [2] Luiz Bandeira (1923-1998), um dos maiores compositores pernambucanos, foi o autor da canção Na cadência do Samba (Que bonito é…), celebrizada no cinema, de  1959 a 1986, como fundo musical do suplemento de futebol do cine-jornal Canal 100, de Carlos Niemeyer. Bandeira participou, como cantor convidado, do Sexteto Radamés Gnattali, em sua tournée pela Europa, em 1960.

1922

  • Ganhando 10 mil réis, Radamés, com dezesseis anos, trabalha no Cinema Colombo com os amigos Luís Cosme e Sotero Cosme (violinos), Júlio Grau (flauta) e mais dois músicos, formando uma pequena orquestra com dois violinos, flauta, violoncelo, contrabaixo e piano. O conjunto animava sessões de cinema mudo, executando pot-pourris de canções francesas e italianas, operetas, valsas e polcas. Por essa época, Radamés integra, também, como pianista (e, possivelmente, arranjador), a Ideal Jazz Band, da Confeitaria Colombo (não confundir com o cinema citado acima), grupo formado por flauta, violino, violoncelo, trompete, trombone, piano, contrabaixo.

 

 

profissional_

 

 

Radamés compõe:

  • Malandro (samba), para piano [1].

 

 

partitura

 

 

  • Debelada no dia 06 de julho na cidade do Rio de Janeiro, capital do Brasil, a revolta tenentista conhecida como Os 18 do Forte – movimento de ideal democrata, iniciado no Forte de Copacabana, cujo objetivo era a derrubada da chamada República Velha.

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  • [1] Apesar de não estar datada, Malandro  parece ser a música popular editada mais antiga de Radamés, constante no arquivo particular do autor. Em sua capa, a partitura apresenta fotos e assinaturas dos integrantes da banda.

 

1921

  • Nasce, em Jardim (CE), o multi-instrumentista de cordas dedilhadas, compositor e arranjador José Menezes [1] (José Menezes França), a quem Radamés dedica, em 1957, o Concertino nº 3 para violão e orquestra, com flauta, bateria, bells e orquestra de cordas. [2]

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  • [1]  Menino prodígio, o cearense José Menezes (1921-2014) tocava todos os instrumentos de cordas dedilhadas: violão, violão-tenor, cavaquinho, bandolim, banjo, viola caipira, guitarra elétrica. Transferiu-se para o Rio de Janeiro em 1943, sendo contratado pela Rádio Mayrink Veiga. Mais tarde, ingressou na orquestra da Rádio Nacional, como violonista. Integrou o Quarteto Continental e o Quinteto (Sexteto) Radamés Gnattali, desde a sua fundação, na década de 50, até fins de 1985, quando o conjunto encerrou suas atividades.
  • [2] O subtítulo “Concerto de Copacabana” atribuído a este concertino não tinha a simpatia nem a aprovação de Radamés.

 

1920

  • Radamés, com 14 anos, é admitido no Conservatório de Música, pertencente ao Instituto de Belas Artes de Porto Alegre, já no 5º ano de piano, na classe do professor Guilherme Halfeld Fontainha.

1919

  • Surge, no Rio de Janeiro, o conjunto Oito Batutas, liderado por Pixinguinha (Alfredo da Rocha Viana Filho, 1897-1973), sob encomenda do gerente do Cine Palais.[1]

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1918

  • Nasce, no dia 04 de fevereiro, em Porto Alegre (RS), o maestro, compositor e arranjador Alexandre Gnattali Filho [1], irmão de Radamés.

 

Juventude_
Em 1925, os irmãos Aída, Radamés, Ernani e Alexandre ainda menino.

 

  • Nasce, no Rio de Janeiro (RJ), o bandolinista e compositor Jacob do Bandolim [2] (Jacob Pick Bittencourt, 1918-1969), a quem Radamés dedica, em 1956, a obra Retratos, para bandolim, conjunto regional de choro e orquestra de cordas; em 1957, o Concertino, para bandolim e orquestra de câmara, ao que consta, inédito.

 

  • Nasce, em Curitiba (PR), o maestro, pianista e compositor Alceu Bocchino (Alceo Ariosto Bocchino, 1918-2013), amigo e companheiro de Radamés de muitos anos, na labuta diária de concertos, estúdios de gravação, programas de rádio e televisão.

 

 

  • Fim da Primeira Guerra Mundial, com a assinatura do armistício entre a Alemanha e os Aliados.

 

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  • [1] Alexandre Gnattali Filho (1918-1990) estudou piano com o pai e a irmã Aída e harmonia com o maestro Roberto Eggers, em Porto Alegre. Em 1943 mudou-se para o Rio de Janeiro passando a estudar harmonia, contraponto e composição com Newton Pádua. Ingressou na Rádio Nacional como copista, passando, em pouco tempo, a arranjador e maestro, ali permanecendo até meados da década de 1960, quando a Rádio Nacional entra em colapso. É logo contratado pela extinta TV Excelsior e ingressa na gravadora CBS, como arranjador e maestro, onde permanece até aposentar-se. Trabalhou intensamente como compositor, arranjador e diretor de orquestra para gravações fonográficas, trilhas para cinema, teatro, rádio e televisão. Entre outras, dirigiu a montagem brasileira do musical norte-americano My fair lady, em 1961, com Bibi Ferreira e Paulo Autran. Assinou a direção musical de vários filmes, como O Petróleo é nosso (1954), Carnaval em Marte (1954), Treze Cadeiras (1957), Rio Zona Norte (1958) de Nelson Pereira dos Santos, O grande momento (1958), O Homem do Sputnik (1959), Minervina vem aí! (1959), Quanto mais samba, melhor (1961), Os Apavorados (1962), Entre mulheres e espiões (1962), entre outros. Casou-se em 1950 com a cantora Juanita Castilho (pseudônimo de Clarisse Maria de Noronha), com quem teve duas filhas, Sandra e Carla.
  • [2] Visite o site do Instituto Jacob do Bandolim

 

1917

  • Nasce, em Miracatu (SP), o violonista e compositor Laurindo Almeida, a quem Radamés dedica várias obras, entre as quais o Concerto nº 4 para violão e orquestra [1], de 1967.

 

 

amigos_

 

Radamés e Laurindo, na década de 1940.

 

 

  • Em fevereiro, a Original Dixieland Jazz Band (ODJB) realiza sua primeira gravação nos Estados Unidos; é o primeiro disco gravado por um grupo de jazz.

 

  • A Casa Edison, do Rio de Janeiro, primeira gravadora do Brasil, lança o polêmico samba Pelo Telefone[2], registrado por Donga (Ernesto Joaquim Maria dos Santos, 1890-1974), gravado pelo cantor Baiano[3]. Estrutura-se o samba como gênero, ainda bastante calcado nas células rítmicas sincopadas do maxixe.

 

  • Greve operária em São Paulo, promovida pelos anarquistas. Esse movimento foi a primeira grande manifestação trabalhista no Brasil e se espalhou por várias cidades, como Curitiba e Rio de Janeiro.

 

  • Ano decisivo para a Primeira Guerra Mundial: os Estados Unidos entram oficialmente no conflito. A Rússia se retira para fazer a sua própria revolução. Lênin assume o poder e anuncia a vitória da Revolução Russa.

 

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  • [1] O subtítulo “Concerto à brasileira” atribuído a este concerto, não tinha a simpatia, nem a aprovação de Radamés.
  • [2] Posteriormente, foi registrada a parceria do jornalista Mauro de Almeida, o chamado “Peru dos pés frios”. Outros compositores também reivindicaram parceria no samba, como Sinhô.  O Samba Pelo Telefone é considerado, por alguns historiadores, o primeiro samba gravado e, por outros, o primeiro samba gravado a fazer sucesso no período de carnaval.
  • [3] Baiano (Manoel Pedro dos Santos, 1870-1944) foi o cantor que, em 1902, gravou para a Casa Edison o primeiro disco lançado no Brasil, registrando o lundu Isto é bom, de Xisto Bahia.

 

1916

  • Nasce, em Guaratinguetá (RJ), o violonista e compositor Dilermando Reis, a quem Radamés dedica a Sonatina para violão e piano, em 1957.

 

  • Nasce, em Jaguarão (RS), o harmonicista e compositor Edu da Gaita (Eduardo Nadruz), a quem Radamés dedica, em 1956, o Concertino nº 1 para harmônica de boca e orquestra de câmara.

 

 

amigos_

Dedicatória da foto:

 

“Radamés, as palavras são poucas e limitadas para exprimir o reconhecimento que te devo pela honra que me proporcionaste escrevendo o ‘concertino’ para a minha gaita. Aqui fica o grande e sincero abraço do Edu. Rio, 13-8-957.”

 

 

  • Sinhô (José Barbosa da Silva, 1888-1930) começa a se projetar tocando piano no clube Kananga do Japão, na Praça 11, Rio de Janeiro, contribuindo imensamente, ao longo de sua curta carreira de compositor, para a fixação do gênero samba.

1915

  • Aos nove anos, Radamés é condecorado pelo cônsul da Itália, com direito a diploma e medalha, por sua atuação como regente e arranjador de uma pequena orquestra infantil, na Sociedade dos Italianos, em Porto Alegre.

 

 

Juventude_“Minha mãe contava que as crianças foram parando de tocar, uma a uma, porque os arranjinhos não eram lá muito fáceis. Radamés foi ficando nervoso, mas continuou tocando até o fim, foi o único que não parou”, relembrava Aída, sua irmã.

 

  • Nasce, em São Paulo (SP), o compositor e multi-instrumentista de cordas dedilhadas, Garoto (Aníbal Augusto Sardinha), a quem Radamés dedica, em 1951, o Concertino nº 2 para violão e orquestra.

 

 

 

Concertino nº 2 para violão e orquestra
(redução da parte da orquestra para piano)

 

 

  • Nasce, no Rio de Janeiro (RJ), o cantor Orlando Silva (Orlando Garcia da Silva, 1915-1978), “o cantor das multidões”, considerado pela crítica especializada o maior cantor brasileiro de música popular de todos os tempos [1].

 

 

  • A marcha Ai, Filomena (J. Carvalho Bulhões), é lançada pelo cantor Baiano (Manuel Pedro dos Santos). Sucesso do carnaval deste ano, a canção é uma gozação com o presidente Hermes da Fonseca, tido como um tipo azarado, apelidado pelo povo de “seu Dudu”.

 

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  • [1] Segundo Radamés, Orlando foi o primeiro cantor a lhe pedir que escrevesse um arranjo com orquestra de cordas. “Depois disso, todo mundo na Rádio Nacional começou a pedir arranjo com cordas”, contava o maestro.

 

1914

  • Nasce, em Petrópolis (RJ), o violinista, compositor, pesquisador e professor César Guerra-Peixe.

 

  • Nasce, em Salvador (BA), o compositor Dorival Caymmi [1].

 

  • Pixinguinha (Alfredo da Rocha Viana Filho), com 17 anos, Donga (Ernesto dos Santos) e outros frequentadores da casa da Tia Ciata [2] formam o Grupo de Caxangá.

 

  • O Corta-Jaca, de Chiquinha Gonzaga, é cantado e acompanhado ao violão, no Palácio do Catete, pela primeira dama, dona Nair de Teffé, jovem esposa do presidente Hermes da Fonseca e primeira caricaturista da imprensa brasileira (Rian), causando escândalo e provocando um ruidoso protesto de Rui Barbosa pelos jornais.

 

  • Em 28 de julho o Império Austro-Húngaro declara guerra à Sérvia, iniciando a Primeira Guerra Mundial.

 

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  • [1] Foi o baiano Dorival Caymmi, em 1938, que repassou a Radamés o pregão popular Flor da noite (“entoado pela vendedora de pipoca, nas noites de lua”). Radamés gostou tanto do tema que o utilizou em várias obras, como no inspiradíssimo 2º movimento da Sinfonia Popular nº 1.
  • [2] Hilária Batista de Almeida, famosa quituteira baiana, mais conhecida como Tia Ciata, organizava, em sua casa, na Cidade Nova, no Rio de Janeiro, rodas de samba e choro. Foi lá que teria sido criado o samba Pelo Telefone, de controvertida autoria.

 

 

 

1913

  • Em dezembro, a violinista Olga Fossati, prima e professora de violino de Radamés, grava três discos para a Casa Edison (Odeon Record), no Rio de Janeiro[1].  

 

raizes_

Olga Fossati e seu tio Paschoal Fossati gravam, no Rio de Janeiro, três discos para a Casa Edson (Odeon Record), datados de dezembro de 1913.

 

 

 

 

raizes_Pascoal Fossati, tio de Radamés, estudou violoncelo e se formou na Bélgica. Mudou-se para a Capital Federal na década de 40 e ingressou na Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, onde trabalhou até aposentar-se. ‘Tocava muito bem, era muito bom músico, mas preferia sentar-se na última fileira. Tinha horror de aparecer’, lembra Aída Gnattali, sua sobrinha.

 

 

  • Nasce, no Rio de Janeiro (RJ), o poeta, escritor e compositor Vinicius de Moraes (Marcus Vinicius da Cruz de Melo Moraes), autor do poema Operário em construção, musicado por Radamés, em 1966, em forma de cantata popular.

 

  • Nasce, no Rio de Janeiro (RJ), o cantor, compositor e radialista Paulo Tapajós, que forma com Almirante, José Mauro, Haroldo Barbosa e Radamés, o melhor time de produção artística e musical da Rádio Nacional, nas décadas de 1940/50.

 

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1911

  • Nasce, no dia 08 de outubro, em Porto Alegre (RS), a pianista e professora de piano Aída Gnattali[1], irmã de Radamés.

 

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Aída Gnattali, irmã de Radamés, com um ano de idade.

 

  • Nasce, em São Paulo (SP), o maestro e arranjador Leo Peracchi que forma, com Lyrio Panicali e Radamés, a linha de frente de orquestradores da Rádio Nacional, nos anos de 1940/50.

 

  • Pixinguinha (Alfredo da Rocha Viana Filho), com 14 anos, estreia profissionalmente como flautista de duas orquestras, no centro da cidade do Rio de Janeiro.

 

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  • [1] Aída Gnattali (Porto Alegre, 1911 – Rio de Janeiro, 2008) – como os irmãos Radamés e Ernani, iniciou seus estudos de piano e violino com a mãe Adélia e a prima Olga Fossati, respectivamente. Formou-se em piano em 1929 no Conservatório de Música de Porto Alegre. Nas décadas de 1950/60 formou com o irmão Radamés o duo de pianos Radamés e Aída Gnattali, com intensa atuação na Rádio Nacional, gravações fonográficas e concertos. Integrou, como 2º piano, o Sexteto Radamés Gnattali, com o qual excursionou pela Europa, em 1960. Dedicou-se, principalmente, ao ensino de piano e à profissão de copista musical, especialmente, da obra de Radamés.

 

1910

  • Morre, em Porto Alegre, RS, aos 59 anos, Maria Weingärtner Fossati (1851-1910), avó materna de Radamés. Filha de imigrantes alemães, Maria era prima do pintor, desenhista e gravurista Pedro Weingärtner[1].

 

  • Radamés inicia seus estudos de piano aos 4 anos com sua mãe, Adélia, segundo depoimento do próprio maestro concedido ao Museu da Imagem e do Som (RJ), em 1985.

 

 

Foto restaurada por Jussara Gomes Gruber, 2008. (Coleção Aída Gnattali)

Carlo Fossati e Maria Weingärtner Fossati, avós maternos de Radamés, com os filhos, em 1902. Em pé, da esquerda para a direita, Adélia (mãe de Radamés), Camillo, Cesar, Emília, Vittorio, Arthur, Pascoal e Frederica. Sentados, Paulina, Maria (mãe), Nina (Ítala), Carlito (Carlo, filho), Carlo (pai) e Virgílio. Todos estudaram música. As mulheres, piano; os homens, piano e violino ou violoncelo. Vittorio, além de piano, tocava flauta muito bem.

 

 

  • O compositor Ernesto Nazareth (1863-1934) lança o tango Odeon.

 

  • Acontece, em 23 de novembro, a Revolta da Chibata [2], no Rio de Janeiro.

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  • [1] Pedro Weingärtner (Porto Alegre RS 1853 – idem 1929). Pintor, gravador, litógrafo, desenhista e professor.  Leia mais
  • [2] Revolta de marinheiros, no Rio de Janeiro, liderada por João Cândido Felisberto (1880-1969), o “Almirante negro”. Amotinados em dois navios de guerra, marinheiros rebelam-se contra os castigos que lhes são impingidos e ameaçam bombardear a Guanabara. Leia mais.

 

 

1908

  • Nasce, no dia 13 de fevereiro, em Porto Alegre (RS), Ernani [1], irmão de Radamés.

 

 

Radamés e o seu irmão, Ernani

 

Radamés e Ernani.

 

 

  • Fundada, em Porto Alegre (RS), a Escola de Belas Artes, onde Radamés estuda e conclui o seu curso de piano, em 1924.

 

 

  • Nasce, em Porto Alegre (RS), o violinista e compositor Luís Cosme, que irá integrar, em meados da década de 1920, na capital gaúcha, o Quarteto Henrique Oswald, tendo o amigo Radamés como violista.

 

  • Nasce, no Rio de Janeiro (RJ), o cantor e radialista Almirante (Henrique Foréis Domingues), “a maior patente do rádio”, que forma com Haroldo Barbosa, José Mauro, Paulo Tapajós e Radamés, o primeiro time de produtores musicais da Rádio Nacional, nas décadas de 1940/50.

 

  • Nasce, no Rio de Janeiro (RJ), o percussionista Luciano Perrone[2], primeiro baterista brasileiro a sistematizar e transpor o ritmo da bateria de escola de samba para a bateria. Radamés dedica-lhe, entre outras obras, a Brasiliana Nº2 (Samba em três andamentos).

 

 

  • O cantor, compositor e poeta popular Catulo da Paixão Cearense faz uma polêmica audição de música popular, no Instituto Nacional de Música, no Rio de Janeiro, com apoio do maestro Alberto Nepomuceno, que, por isso, é severamente criticado pela ala conservadora da classe musical.

 

  • É inaugurada, em San Diego (Califórnia/EUA), a primeira emissora de rádio dos Estados Unidos.

 

  • Criada a COB, Confederação Operária Brasileira, de linha anarquista[3], como resultado do 1º Congresso Operário, de 1906.

 

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  • [1] Ernani Gnattali (1908–1968) estudou piano com a mãe, desde muito cedo. Apaixonado pelo violino, dedicou-se ao estudo do instrumento com sua prima, Olga Fossati. Embora tocasse bem, segundo opinião dos irmãos músicos, Ernani não se profissionalizou como instrumentista. Tendo trabalhado 20 anos na copistaria da Rádio Nacional, em 1960 optou por transferir-se para a administração pública federal.
  • [2] Luciano Perrone (Rio de Janeiro, 1908-2001) e Radamés Gnattali se conheceram em 1929, numa estação de águas, em Lambari, MG. A técnica de Perrone, aliada à compreensão e o domínio dos ritmos brasileiros eram a característica marcante do percussionista, chegando a influenciar e inspirar a maneira de orquestrar de Radamés. A colaboração mútua foi a tônica dessa parceria por toda a vida, na orquestra da Rádio Nacional, na gravadora Continental, no Quinteto e Sexteto Radamés Gnattali e em todos os grandes momentos da vida musical de ambos.      
  • [3] Radamés dizia ter sido criado segundo os ideais e conceitos do anarquismo, que lhe foram transmitidos pelo pai e pelo avô, mas também por amigos da família, como o sapateiro Caetano dal Fiume, amigo da família.

 

 

1960

elepê Radamés na Europa, com seu Sexteto e Edu – vol.1


Vida e Obra

  • O Sexteto Radamés Gnattali[1] excursiona pela Europa integrando a III Caravana Oficial de Música Popular Brasileira.[2]
  • Radamés grava, na Continental, o elepê Segredo para dois, com orquestra e coro, contendo sucessos do cancioneiro popular brasileiro; neste mesmo ano, a Odeon lança o elepê Radamés na Europa, com seu Sexteto e Edu – vol.1.

 

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Integrantes do Sexteto Radamés passeando em Paris, durante a turnê pela Europa, integrando a III Caravana Oficial de Música Popular Brasileira.

 

recortes_
Diário da Manhã (Portugal)
» Concerto de Música Brasileira no Teatro Nacional de S. Carlos. 3ª Caravana Musical na Europa por José Carlos Picoto

Radamés compõe

  • Brasiliana nº 9 – para violoncelo e orquestra – dedicada a Paulo Santos
  • O negrinho do pastoreio (bailado) – para orquestra [3] (do original para dois pianos, de 1958)
  • Sonatina coreográfica (quatro movimentos dançantes) – para dois pianos (do original para piano solo, de 1950) (profissional – 028)
  • Sonatina para flauta com orquestra de cordas[4] (transcrita da Sonatina para flauta e violão, ou piano, de 1959)
  • Três movimentos – para pequena orquestra (extraídos da Sonatina para violão e piano, de 1957)

 

No Brasil e no mundo

  • Estréia da peça A mais valia vai acabar seu Edgar, de Oduvaldo Vianna Filho, com músicas de Carlos Lyra, no Teatro de Arena da Faculdade de Arquitetura. É o nascimento da canção de protesto.

 

  • Morre, no Rio de Janeiro (RJ), o clarinetista, saxofonista e compositor Luiz Americano.
  • Morre, no Rio de Janeiro (RJ), o compositor Newton Mendonça (Newton Ferreira de Mendonça).

 

  • Jânio Quadros, sem partido,  é eleito presidente da República.
  • Inauguração de Brasília em 21 de abril. O Rio de Janeiro, antigo Distrito Federal, passa a se chamar Estado da Guanabara.
  • O brasileiro Eder Jofre sagra-se campeão mundial de boxe.

 

  • O filósofo Jean-Paul Sartre e sua esposa, a escritora Simone de Beauvoir, visitam o Brasil e são homenageados pelo governo federal.

 


NOTAS

[1] Para Sexteto Radamés, consulte o Glossário.

[2] Com patrocínio do governo federal, de acordo com a “Lei Humberto Teixeira”, que visava divulgar a música brasileira no exterior, o Sexteto Radamés Gnattali apresenta-se em Lisboa (Portugal), nos teatros São Luís e São Carlos. Neste último, Radamés apresenta o seu  Concerto nº 1 para harmônica de boca e orquestra de câmara , tendo Eduardo Nadruz (Edu da Gaita) como solista da  Orquestra Sinfônica do Conservatório de Música do Porto, com regência do autor. O Sexteto segue para a cidade do Porto e Coimbra. Na França, apresenta-se no Anfiteatro Richelieu, na Sorbonne, no Conservatório Nacional e na Rádio e TV Francesa, em Paris. Em Londres, apresenta-se na BBC, no Wigmore Hall, na Universidade de Oxford e no Royal College of Art. Em Roma, apresenta-se na TV Italiana e em casarões de cultura.

[3]  Anotação da 1ª página do livro  ‘Contos gauchescos e lendas do sul’,  de J. Simões Lopes Neto.

[4] Anotação de capa: “Gravado em disco Capitol  em Los Angeles por Marthim Rutherman (flauta) e Laurindo de Almeida (violão) em 1960”. Fica a dúvida se a nota se refere à gravação da sonatina em sua forma original, sem orquestra.

 

1956

Vida e Obra

  • Em comemoração ao seu cinqüentenário, Radamés Gnattali é homenageado, na Rádio Nacional, com uma grande festa e um concerto com obras de sua autoria, além da inauguração de um estúdio com o seu nome.  (profissional – 32 ; 19) (documento – 173)
  • Primeira audição mundial da Sinfonia Popular nº 1, no Teatro Municipal de São Paulo, com a Orquestra Municipal, sob a regência do maestro Armando Belardi e, em seguida, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, com  a Orquestra Sinfônica Brasileira, sob a regência do maestro Léo Peracchi. (programa – 117-a) (partitura – 218-02)
  • Radamés Gnattali e Paulo Tapajós lançam, na Rádio Nacional, o programa Cancioneiro Royal, apresentando aspectos da música popular e folclórica brasileira.
  • Radamés ganha o prêmio das Seleções Musicais Bayer, de melhor maestro-arranjador, por sua Rapsódia de Ary Barroso[1].
  • Em setembro, a Rádio Nacional comemora o seu 20º aniversário em grande gala, realizando o Festival de Música Brasileira  no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, com direção geral de Paulo Tapajós. O programa conta com a participação da Orquestra e Coro da Rádio Nacional e o seu grande elenco de cantores e cantoras, locutores e músicos solistas, como Jacob do Bandolim, José Menezes, Raul de Barros, Abel Ferreira, Chiquinho do Acordeom, entre outros; arranjos de Radamés Gnattali e regências de Radamés e Romeu Ghypsman.  (programa 115 ; 116)
  • Radamés grava, na Continental, a Suíte popular brasileira para violão elétrico e piano (1953), de sua autoria. A gravação é feita em play-back (que acabara de estrear no Brasil), ou seja, Radamés grava o piano no Rio e envia a fita para os Estados Unidos, a fim de que Laurindo de Almeida (a quem a peça é dedicada)  sobreponha a parte de violão. (capa de LP 105_0518.JPG) (amigos – 4)
  • A gravadora Continental lança, de Radamés, o choro Bate-papo a três vozes, interpretado por Radamés (piano), Pedro Vidal (contrabaixo) e Luciano Perrone (bateria).

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[1] Peça sem registro, não consta do arquivo particular do autor.

 

Radamés compõe

  • Brasiliana n° 7 – para saxofone tenor e pianodedicada a Sandoval de Oliveira Dias
  • Brasiliana nº 8 – para dois pianos
  • Concerto nº 1 – para harmônica e orquestra de câmara – dedicado a Edu da Gaita
  • Retratos[1]– para bandolim solista, cavaquinho, 2 violões, pandeiro e orquestra de cordas peça dedicada a Jacob do Bandolim (partitura 003-02)
  • Sinfonia popular nº 1

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[1] Retratos: peça estruturada em quatro movimentos em que Radamés traça o perfil musical de quatro grandes nomes da música brasileira: I. Pixinguinha; II. Ernesto Nazareth;  III. Anacleto de Medeiros; IV. Chiquinha Gonzaga. Para elaborar os seus retratos, Radamés extrai, com muita sutileza, elementos temáticos essenciais de composições célebres desses autores sem, no entanto, citar literalmente qualquer dessas músicas.

 

No Brasil e no mundo

  • Estréia a peça Orfeu do Carnaval, de Vinicius de Moraes, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, com direção de Léo Jusi. A peça marca o início da parceria Antônio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes.
  • João Guimarães Rosa escreve Grande Sertão: Veredas, uma das obras mais importantes da literatura brasileira.

 

  • Juscelino Kubitschek toma posse na presidência da República. Com base em seu Plano de Metas, empreende diversas realizações desenvolvimentistas. Uma delas é a transferência da capital federal para Brasília.

1905

  • Em 27 de abril realiza-se, em Porto Alegre, RS, o casamento de Alexandre Gnattali (1876-1942) e Adélia Fossati (1880-1954). [1]

 

Casamento dos pais de Radamés Gnattali.

 

  • Nasce, no Rio de Janeiro, a cantora lírica Bidu Sayão[2]  (Balduina de Moreira Sayão), a quem Radamés acompanha em tournée pelo sul do Brasil, como pianista, na década de 1930.

 

  • Lançada a primeira revista infantil brasileira, O Tico-Tico.

 

revista tico-tico
‘O Tico-Tico’

 

  • Acontece, no Rio de Janeiro, o primeiro clássico brasileiro (“clássico vovô”) entre os dois times cariocas mais antigos: Fluminense e Botafogo (time de Radamés), com vitória do tricolor, por 6 x 0.

 

 

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  • [1] Ao chegar ao Brasil, vindo da Itália, Alessandro passa a adotar o nome Alexandre. Não se tem notícia se ele se naturalizou brasileiro.
  • [2] “Boa mesmo era a Bidu, não precisava ensaiar muito, acertava tudo de primeira”, dizia Radamés.

1907

  •  Nasce, no Rio de Janeiro (RJ), o compositor e produtor Carlos Alberto Ferreira Braga, o popular Braguinha, também conhecido como João de Barro[1].

 

  • Nos Estados Unidos ocorrem as primeiras experiências de transmissão de um programa radiofônico.

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[1] Braguinha (ou João de Barro), diretor artístico da gravadora Continental lança, na década de 1940, uma série de histórias infantis da literatura universal, com canções de sua autoria e trilha sonora e orquestrações de Radamés. Imunes ao tempo, as historinhas ingressam no século XXI, remasterizadas e relançadas em CD pela gravadora Warner, em 2001.

1906

  • Nasce Radamés Gnattali, dia 27 de janeiro, em Porto Alegre (RS). No mesmo dia e mês em que se comemoravam os 150 anos de nascimento de Mozart.

 

“Vê essa chupeta? Estava sempre novinha. Ele nunca chupou chupeta. Mamãe insistia pra ele usar mas não havia meio”, contava Aída Gnattali, irmã do maestro.

 

 

  • Nasce em Queluz (SP), o maestro e arranjador Lyrio Panicali que, ao lado de Leo Perachhi e Radamés, formará a linha de frente de maestros-arranjadores da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, nas décadas de 1940/50.

 

 

  • Entre os dias 15 e 20 de abril realiza-se, no Rio de Janeiro, o 1º Congresso Operário Brasileiro, reunindo representantes sindicais de todo o país.

 

  • Em Paris, Santos Dumont realiza o primeiro voo  público com o seu 14 Bis, um veículo mais pesado que o ar, movido a motor a gasolina.

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1929

  • Em 1º de junho, Radamés participa da programação especial do 5º Aniversário da Rádio Club do Brasil executando, com a orquestra da rádio, o Concerto Nº 1 em si bemol menor para piano e orquestra, de P. Tchaikovsky, sob a regência de Arnold Gluckmann. [1]

 

  • Em 18/08 Radamés participa do “Programa especial – Tchaikovsky”na Sociedade Rádio Educadora Paulista, executando, pela segunda vez, o Concerto Nº 1 para piano e orquestra do compositor russo, sob a regência do maestro Torquato Amaro.

 

  • Em 24/10, em concerto organizado pelo seu ex-professor, Guilherme Fontainha, Radamés volta a executar o Concerto Nº 1 de Tchaikovsky, agora no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, com acompanhamento de grande orquestra, sob a regência do maestro Arnold Gluckmann. A repercussão na imprensa é espetacular. Abaixo, um resumo da crítica de alguns jornais cariocas. [2]

 

 

Material de divulgação do recital de estreia de Radamés, como compositor, no Theatro São Pedro (Porto Algre – RS), programado para dia 17 de setembro de 1930.

 

 

 

 

  • 28 de abril. É fundada a segunda escola de samba do Rio de Janeiro, a Estação Primeira de Mangueira, a partir do Bloco dos Arengueiros. Dentre os seus principais fundadores, destaca-se o compositor Cartola (Angenor de Oliveira, 1908-1980).

 

  • As gravadoras Victor e Brunswick iniciam suas atividades no Brasil.

 

  • Estreia o filme Broadway melody, o primeiro longa-metragem sonoro, sincronizado, a ser exibido no Rio de Janeiro.

 

  • Em setembro, a BBC realiza, em Londres, a primeira emissão experimental de televisão.

 

  •  O mundo ocidental é abalado por uma grave crise econômica, a quebra da Bolsa de Nova York, que repercute no Brasil com a violenta queda dos preços do café.

 

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